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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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	<description>Site de consultoria do agro</description>
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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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		<title>Inês é morta!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 15:15:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de continuar produzindo com excelência e, ao mesmo tempo, atender às exigências do mercado europeu. Mas Inês é morta! E agora,&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/ines-e-morta/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Inês é morta!</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de continuar produzindo com excelência e, ao mesmo tempo, atender às exigências do mercado europeu. Mas Inês é morta!</p>
<p>E agora, em vez de lamentarmos o óbvio, precisamos nos concentrar em como voltar a acessar o mercado que melhor remunera nossos cortes e que, mais do que isso, manda um recado forte ao mundo de que a carne do Brasil tem qualidade, volume e capacidade de atender a qualquer comprador, e não há tempo para choro ou para discursos vazios sobre injustiças comerciais.</p>
<p>Há tempo para ação concreta, e olhando para o futuro, é preciso reconhecer que hoje temos uma ferramenta aprovada tanto pela autoridade sanitária nacional quanto pelo comissário europeu: o protocolo de garantia de não uso de antimicrobianos, elaborado pela ABCAR, CNA e ABIEC. Pois então, que se faça uso dela! Ao invés de gastar energia negando o fato de estarmos fora do mercado europeu — como se negar a realidade fosse mudá-la — temos que fomentar o uso desse protocolo, que é voluntário e, portanto, participa aquele que enxerga valor nele.</p>
<p>É o momento de olhar com seriedade para as novas tecnologias que garantem a eficiência da terminação dos animais! O Brasil não pode mais se pautar apenas pelo seu volume de produção como se fosse um trunfo eterno.</p>
<p>Já passou da hora de implantarmos as ferramentas disponíveis para produzir volume e qualidade atendendo a qualquer requisito do importador. Chega de tratarmos a rastreabilidade, o bem-estar animal e a sustentabilidade como meros enfeites de marketing! Esses itens são pré-requisitos inegociáveis em qualquer mercado que se preze, e quem não enxergar isso está fadado a ficar para trás, assistindo outros países ocuparem o espaço que deveria ser nosso.</p>
<p>É uma verdadeira afronta à inteligência do setor que tenhamos deixado essa situação chegar a esse ponto, até porque, tivemos anos de aviso, anos de discussão, anos de oportunidades para nos anteciparmos e nos adequarmos proativamente. Em vez disso, preferimos a postura defensiva, o discurso de que as exigências europeias seriam barreiras comerciais disfarçadas, quando na verdade poderiam ter sido encaradas como um incentivo para modernizarmos nossa produção.</p>
<p>Agora, colhemos o resultado dessa inércia: portas fechadas, reputação arranhada e um prejuízo que poderia ter sido evitado. A Argentina e o Uruguai agradecem.</p>
<p>Portanto, a mensagem precisa ser clara e incisiva: o tempo de espernear passou. O foco agora deve ser em ação coordenada, em adesão maciça ao protocolo, em investimento em tecnologia de ponta e em uma mudança cultural dentro das fazendas, frigoríficos e fábricas de insumos.</p>
<p>Precisamos provar, com números e práticas concretas, que somos capazes de produzir em escala sem abrir mão da excelência produtiva, sanitária e ambiental. Não podemos nos dar ao luxo de esperar mais um ciclo de alertas para então agir. A exigência do mercado europeu não é um capricho; é um espelho do que o consumidor global cada vez mais demanda, e quem não se mirar nele ficará obsoleto.</p>
<p>Chega de discursos vazios e de esperar que o problema se resolva sozinho.</p>
<p>O Brasil precisa acordar, unir forças e mostrar que a nossa carne é, sim, digna dos melhores mercados do mundo, mas isso só acontecerá se deixarmos de lado a complacência e abraçarmos, de vez, a modernidade e a transparência que o momento exige. Inês está morta, mas o futuro pode ser escrito com novas letras, desde que tenhamos liderança, coragem e competência para fazê-lo agora.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Um sopro de esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 15:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção que se quer cada vez mais sustentável. Por isso, a disputa em torno de quem deve conduzir o registro desses&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/um-sopro-de-esperanca/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Um sopro de esperança</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção que se quer cada vez mais sustentável. Por isso, a disputa em torno de quem deve conduzir o registro desses produtos não é uma simples questão administrativa; é uma decisão que ecoa na vida de quem planta e de quem consome, e é compreensível que esse momento gere tanta apreensão e, ao mesmo tempo, uma expectativa genuína por definições mais justas.</p>
<p>Há um desgaste natural quando se percebe que órgãos que deveriam atuar de forma técnica e complementar passam a disputar protagonismo, movidos por vontades que nem sempre são claras, onde a sensação de que interesses alheios ao conhecimento científico tentam se sobrepor é frustrante, especialmente para quem depende de previsibilidade para investir e produzir. O agricultor, seja ele pequeno ou grande, sente na pele quando a burocracia se torna um labirinto sem saída, e a indústria de insumos, por sua vez, vê seus esforços travados por disputas que pouco têm a ver com a segurança ou a eficácia do que se pretende registrar.</p>
<p>Nesse cenário, é natural que a postura da ANVISA e do IBAMA desperte questionamentos, afinal não se trata de questionar a importância de cada um em suas respectivas áreas, mas de reconhecer que, quando a legislação define um rito, é preciso que ele seja respeitado para que o sistema funcione. A sobreposição de competências, impulsionada por ideologias ou por pressões veladas, acaba por gerar um ambiente de insegurança jurídica que ninguém merece enfrentar. E para piorar, quando a EMBRAPA, uma instituição historicamente dedicada à pesquisa e ao avanço do agro, parece alinhar-se a interesses corporativos, o desapontamento é ainda maior, pois se espera dela uma postura de equilíbrio e compromisso com a ciência em primeiro lugar.</p>
<p>Diante desse emaranhado, a atitude da Secretaria Executiva da Casa Civil de ouvir as entidades do setor representa, de fato, um sopro de esperança.</p>
<p>É reconfortante perceber que há espaços onde a voz de quem vive o dia a dia do campo, das associações de pequenos produtores às grandes indústrias, passando pela comunidade produtora de alimentos orgânicos, finalmente encontra eco. Esse movimento de escuta ativa demonstra que a complexidade do tema não pode ser resolvida de cima para baixo, sem considerar as realidades diversas que compõem o agro brasileiro.</p>
<p>O que se espera agora é que essa abertura se traduza em decisões pautadas pela técnica, pela transparência e pelo interesse coletivo. Que a ciência, com seus dados e evidências, seja a bússola para definir os rumos do registro de bioinsumos, afastando-se de qualquer viés comercial ou pessoal.</p>
<p>É preciso que haja um equilíbrio entre a necessária regulação e a agilidade que o setor demanda, garantindo que produtos seguros e eficazes cheguem ao mercado sem atropelos, mas também sem obstáculos artificiais, e há, sim, um caminho possível para que todos saiam ganhando, desde que haja vontade política e honestidade intelectual para trilhá-lo, onde a participação de todos os envolvidos, em um diálogo franco e aberto, é o alicerce para que as decisões reflitam a realidade do campo e as necessidades da sociedade.</p>
<p>Que essa nova postura não seja apenas um momento isolado, mas o início de um processo mais colaborativo e menos conflituoso. Afinal, o que está em jogo é a construção de um futuro onde a produção de alimentos e a preservação ambiental caminhem juntas, com o respaldo de um marco regulatório que faça sentido na prática, e não apenas no papel.</p>
<p>É essa a esperança que se renova, e que merece ser cultivada com cuidado, atenção e vigilância.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Um crime contra a ciência</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/um-crime-contra-a-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Aug 2026 15:10:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do planeta, vemos uma verdadeira guerra de poder instalada nos bastidores de Brasília, onde o interesse comercial e a ideologia rasteira&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/um-crime-contra-a-ciencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Um crime contra a ciência</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do planeta, vemos uma verdadeira guerra de poder instalada nos bastidores de Brasília, onde o interesse comercial e a ideologia rasteira estão atropelando a ciência de forma descarada, e não é exagero afirmar que estamos diante de um retrocesso histórico, um tapa na cara de todos os pesquisadores, cientistas e produtores.</p>
<p>O que se desenha no texto do decreto é um cenário desolador, no qual órgãos que deveriam atuar como parceiros da inovação, como Anvisa, Ibama e até a respeitada Embrapa, parecem ter se transformado em verdadeiros advogados do atraso. Em vez de facilitar o acesso às tecnologias biológicas, esses entes estão erguendo barreiras praticamente intransponíveis, especialmente contra a produção realizada dentro da própria propriedade rural sob a mesma justificativa de sempre: a necessidade de “segurança” e “controle”.</p>
<p>Mas é impossível não enxergar a hipocrisia por trás desse discurso! O que se esconde por trás dessa pretensa preocupação é a pressão de grandes corporações que veem na pequena indústria e na produção <em>on farm</em> uma ameaça ao seu monopólio.</p>
<p>E o que dizer da obrigatoriedade quase intransponível de que todo produto passe pela análise tripla de Anvisa, Ibama e Mapa? Não se trata de negar a importância da fiscalização, mas sim de denunciar a burocracia como ferramenta de exclusão, já que cada um desses órgãos possui seus próprios prazos, exigências e custos. Submeter um bioinsumo, muitas vezes produzido com microrganismos nativos daquela região, a esse trâmite moroso e caro é, na prática, inviabilizar qualquer tentativa de inovação.</p>
<p>Esse desenho regulatório não é novidade: ele já é conhecido no setor de agrotóxicos, cuja excessiva burocratização tem contribuído para retardar a chegada de novas tecnologias ao produtor brasileiro. Na prática, exigências complexas, custos elevados e prazos imprevisíveis favorecem as grandes empresas, que dispõem de estrutura financeira e jurídica para atravessar esse labirinto, enquanto pequenas e médias organizações inovadoras são empurradas para fora do mercado.</p>
<p>Mais grave ainda é a percepção de que determinados ativos só entram em processo de reavaliação quando já existe um produto substituto pronto para ocupar seu espaço — uma lógica que alimenta suspeitas de captura regulatória e representa um verdadeiro escárnio para o produtor rural, que acaba pagando mais caro e tendo acesso tardio a soluções que poderiam aumentar a eficiência e a sustentabilidade de sua produção.</p>
<p>É revoltante perceber que o conhecimento acumulado pela pesquisa brasileira, um dos mais avançados do mundo na área de biocontrole e biofertilizantes, está sendo simplesmente descartado em nome de uma suposta “segurança” que atende a interesses escusos. A Embrapa, que sempre foi símbolo de vanguarda, ao se posicionar contra a inovação, parece ter esquecido seu próprio propósito, alinhando-se a uma lógica retrógrada que sufoca o desenvolvimento.</p>
<p>Não podemos aceitar que a ideologia do medo e do controle prevaleça sobre a comprovação empírica. Não podemos permitir que o lobby de grandes grupos econômicos transforme a regulamentação em um instrumento de perpetuação de poder e de exclusão. Precisamos reagir com firmeza a esse atentado contra o futuro do agro.</p>
<p>A ciência está aí, oferecendo soluções concretas para uma agricultura mais rentável, competitiva e sustentável, e é um verdadeiro crime contra a nação ignorá-la. Que essa indignação se transforme em cobrança pública e que os responsáveis por esse retrocesso sintam o peso da história, pois estão do lado errado da luta, do lado do atraso, contra o progresso e contra o povo brasileiro.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Sempre na dor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 13:04:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É de enlouquecer qualquer um que acompanhe de perto o dia a dia do campo brasileiro, onde a cada safra, a cada ciclo é a mesma ladainha: o produtor rural é colocado contra a parede, tendo que recorrer a soluções caras e muitas vezes já quase ineficientes para lidar com pragas e doenças. E a&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/sempre-na-dor/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Sempre na dor</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É de enlouquecer qualquer um que acompanhe de perto o dia a dia do campo brasileiro, onde a cada safra, a cada ciclo é a mesma ladainha: o produtor rural é colocado contra a parede, tendo que recorrer a soluções caras e muitas vezes já quase ineficientes para lidar com pragas e doenças. E a pergunta que não quer calar ecoa como um grito abafado pela burocracia: por que tem que ser sempre na dor? Por que o acesso ao que há de mais inovador, inteligente e sustentável para a agricultura precisa ser tratado como um tabu, uma disputa de poder ou, pior, um campo de batalha ideológica?</p>
<p>Estou falando, claro, dos bioinsumos. Não há exagero em afirmar que essa é a maior revolução silenciosa à disposição do setor produtivo brasileiro, uma ferramenta que poderia beneficiar igualmente o pequeno agricultor familiar e o grande produtor, já que substituem os defensivos químicos, recuperam a saúde do solo, promovem o equilíbrio ecológico dentro da lavoura e de quebra ainda reduzem custos no longo prazo. Mas o que se vê na prática é uma luta inglória para que essa tecnologia saia do papel e chegue, de fato, ao campo.</p>
<p>O problema é que, no Brasil, a inovação esbarra em um muro de interesses institucionais, comerciais e políticos que parece intransponível. Enquanto o Ministério da Agricultura tenta, com dificuldade, avançar em marcos regulatórios que viabilizem a produção e o uso de bioinsumos, o Ministério do Meio Ambiente e o da Saúde entram com o pé atrás, com uma visão por vezes ideológica que engessa qualquer movimento. Parece que a prioridade não é resolver o problema do produtor rural, mas garantir que cada pasta mantenha sua fatia de influência e controle.</p>
<p>Os interesses comerciais são ferozes, afinal a indústria química, gigante e consolidada, não vai abrir mão de seu mercado sem luta. E, convenhamos, ela tem força de lobby que faz qualquer política pública parecer frágil. O que se vê é uma tentativa de desqualificar os bioinsumos, de jogar dúvidas sobre sua eficácia, de criar barreiras regulatórias que só favorecem quem já está estabelecido. É um verdadeiro desserviço ao país, que poderia estar na vanguarda de uma agricultura regenerativa, de baixo carbono e mais resiliente.</p>
<p>Mas o mais revoltante é que o discurso ideológico contamina tudo.</p>
<p>De um lado, os que defendem a química a qualquer custo, como se fosse a única saída para alimentar o mundo, ignorando os passivos ambientais e de saúde pública. Do outro, os que demonizam qualquer insumo, como se a agricultura pudesse voltar a ser como era há cem anos, sem considerar a escala e a complexidade da produção atual. E, no meio, está o agricultor, que não quer ser herói de nenhuma cartilha, mas apenas ter acesso a ferramentas que funcionem, que sejam viáveis economicamente e que não destruam o solo que ele vai deixar para os filhos.</p>
<p>Não se trata de abolir a química, mas de oferecer alternativas. Trata-se de permitir que o produtor tenha autonomia para escolher o melhor caminho. E, nesse sentido, os bioinsumos são uma ferramenta democrática, que pode ser produzida na própria fazenda, que reduz a dependência externa e que coloca o Brasil em uma posição de liderança global no debate sobre sustentabilidade. Mas, enquanto o jogo de poder continuar, enquanto a briga for sobre quem manda e não sobre o que é melhor, a resposta para a pergunta: por que tem que ser sempre na dor?</p>
<p>Chegou a hora de agir pela inteligência, pela visão de futuro e pela responsabilidade. Se continuarmos nessa toada de atrapalhar para não avançar, o preço a pagar será muito mais alto do que qualquer um de nós pode imaginar, e perdermos uma janela irrecuperável de tempo, esforço, pesquisa e dinheiro.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>A bússola da ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 14:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/a-bussola-da-ciencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A bússola da ciência</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado é um caos regulatório cujos danos podem ser irreversíveis.</p>
<p>Um exemplo emblemático desse fenômeno é a regulamentação dos bioinsumos, um campo de inovação constante que já movimenta bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento, mas que permanece travado por disputas ideológicas e pressões de mercado, sim de mercado.</p>
<p>A premissa fundamental de qualquer arcabouço regulatório que se pretenda eficiente é a isenção, afinal as normas devem ser elaboradas com base em dados técnicos, experimentação científica e análise de riscos; não em convicções pessoais ou visões de mundo particulares. A previsibilidade, por sua vez, é o que permite que empresas e investidores planejem suas atividades com segurança, alocando recursos em inovação e produção.</p>
<p>No caso dos bioinsumos, produtos biológicos utilizados na agricultura para controle de pragas e melhoria da produtividade, o potencial é imenso. Trata-se de uma tecnologia que reduz o uso de defensivos químicos, promove a sustentabilidade e gera valor agregado. Contudo, sua regulamentação, que deveria ser um processo técnico e harmonioso para definir critérios de eficácia, segurança e registro, tornou-se um verdadeiro campo de batalha.</p>
<p>O entrave não é técnico, mas sim ideológico e comercial. De um lado, há grupos que defendem uma regulação excessivamente restritiva, baseada em uma visão reativa que desconsidera o acúmulo de evidências científicas. De outro, interesses comerciais de setores estabelecidos, que veem nos bioinsumos uma ameaça a seus mercados e lucros, atuam para retardar ou inviabilizar a aprovação de normas claras, seguras e eficazes.</p>
<p>O resultado é um impasse que condena o Brasil a perder a dianteira em uma área de vanguarda, enquanto outros países avançam com regras objetivas e empresas que investiram bilhões em pesquisa se veem reféns de uma burocracia que não responde a critérios racionais, mas a pressões políticas e corporativas. Esse cenário gera insegurança jurídica, desestimula novos investimentos e compromete a competitividade do agronegócio brasileiro.</p>
<p>A ciência deve ser a bússola de qualquer regulamentação.</p>
<p>Não se trata de negar a importância de debates legítimos sobre impactos ambientais ou sociais, mas de garantir que esses debates sejam informados por dados robustos e não por dogmas. A inovação, por definição, desafia o <em>status quo</em> e exige que as regras evoluam em paralelo. Quando a ideologia trava esse processo, o preço é pago por toda a sociedade: perde-se em produtividade, em sustentabilidade e em competitividade.</p>
<p>Portanto, a saída para o impasse regulatório dos bioinsumos e de outros setores inovadores é o retorno ao que deveria ser o normal, ou seja, regras baseadas em evidências, previsibilidade nos prazos de aprovação e respeito ao devido processo legal. É preciso que os órgãos reguladores atuem com autonomia técnica, blindados contra interferências ideológicas, pressões comerciais e pessoas mal intencionadas.</p>
<p>O Brasil precisa de um pacto pela racionalidade regulatória, onde o mérito científico prevaleça sobre convicções pessoais e onde o interesse público não seja sequestrado por interesses privados; caso contrário, o caos instalado não será apenas um obstáculo temporário, mas uma ferida que inviabilizará o futuro da inovação nacional.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Sal branco e capim colonião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 14:50:27 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/sal-branco-e-capim-coloniao/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Sal branco e capim colonião</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são fruto de décadas de pesquisa, inovação e trabalho sério de milhares de cientistas, médicos veterinários, zootecnistas e produtores rurais.</p>
<p>A pecuária praticada hoje não tem nada a ver com o passado remoto; é uma atividade moderna, pautada em dados, em genética aprimorada, em manejo racional, na suplementação mineral e em sistemas integrados que respeitam o meio ambiente e o bem-estar animal, onde cada técnica adotada passou por rigorosos testes de segurança e eficiência, sempre dentro dos limites que a ciência e a lei estabelecem.</p>
<p>Portanto, quando alguém sugere que o Brasil deve simplesmente abandonar essas ferramentas, está propondo um retrocesso brutal, uma verdadeira volta à Idade da Pedra, onde o sal branco e o capim colonião reinavam nas paragens do sertão, fazendo a produtividade despencar e a pressão sobre os recursos naturais voltar à casa dos anos 80.</p>
<p>É inaceitável que um país que construiu um dos maiores e mais eficientes rebanhos do mundo justamente por abraçar a tecnologia, seja agora pressionado a abrir mão dela por capricho ideológico ou por falta de informação.</p>
<p>A inovação não é inimiga da saúde e do bem estar do consumidor, pelo contrário, é a maior aliada para produzir mais quilos por hectare ano, para reduzir emissões, para preservar o solo e a água, e para garantir que a carne, o leite e o couro que chegam à mesa do consumidor tenham a mais alta qualidade, e isso só é possível porque muito se investiu em ciência.</p>
<p>Banir tecnologias consolidadas e seguras, sem qualquer evidência que justifique o risco, é um atentado contra o progresso e contra a soberania do setor produtivo nacional e vai contra tudo o que acreditamos. É preciso sim, dar as garantias necessárias aos mercados consumidores do mundo de que o produto brasileiro é seguro, confiável e de qualidade. É preciso criar alternativas para que o setor produtivo do Brasil continue acessando os mercados internacionais, e isso se faz com técnica, com rastreabilidade, com ciência e com comprometimento, demonstrando que tanto o setor regulado, quanto o setor público é capaz de segregar o uso da tecnologia.</p>
<p>Porém, o retrocesso parece iminente, e a medida tomada pela caneta da política vai varrer a discussão técnica e colocar o Brasil no rol dos países que preferem proibir o uso da tecnologia a construir caminhos de longo prazo que garantam a perenidade da atividade.</p>
<p>A pecuária brasileira precisa de respeito pelo trabalho honesto, pela técnica apurada e pela capacidade que o Brasil tem de alimentar o mundo de forma segura. Não se pode aceitar que a ignorância dite as regras de um setor que é sinônimo de excelência e inovação.</p>
<p>A pressão política de 2 ou 3 que se acham acima de tudo e de todos não pode prosperar.</p>
<p>Mais do que nunca, é fundamental a união de todos ao redor de uma mesma mesa, com diálogo, com dados, com pesquisa e com a força da lei, para que o futuro da pecuária continue sendo escrito com base na ciência, e não no medo ou na desinformação.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Fora da lista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 15:04:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao longo das últimas décadas, a ciência e a pesquisa permitiram o desenvolvimento de tecnologias que otimizam a produção de alimentos com total segurança ao consumidor, como os melhoradores de desempenho, hormônios e antibióticos. Essas ferramentas são aplicadas sob rigoroso controle sanitário e respaldo de órgãos reguladores nacionais e internacionais, garantindo que a proteína animal&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/fora-da-lista/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Fora da lista</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo das últimas décadas, a ciência e a pesquisa permitiram o desenvolvimento de tecnologias que otimizam a produção de alimentos com total segurança ao consumidor, como os melhoradores de desempenho, hormônios e antibióticos. Essas ferramentas são aplicadas sob rigoroso controle sanitário e respaldo de órgãos reguladores nacionais e internacionais, garantindo que a proteína animal chegue à mesa do consumidor com qualidade e total ausência de riscos à saúde.</p>
<p>Porém, como sempre tem um porém, o mercado global não é homogêneo e existem compradores extremamente exigentes que optam por não adquirir produtos que tenham feito uso dessas tecnologias. Esse é um direito legítimo do consumidor, e cabe ao Brasil, como líder global, respeitar essa demanda e oferecer garantias robustas para atender a todos os perfis de mercado, do mais ao menos restritivo. E esse episódio com a União Europeia é um ótimo exemplo.</p>
<p>Mais do que perder um faturamento de 2 bilhões de dólares, ficar de fora da lista do mercado europeu significa um duro golpe na reputação da produção nacional, pois evidencia que não conseguimos oferecer as garantias de controle do não uso das tecnologias listadas. E esse é o ponto, não adianta banir o uso da tecnologia, isso seria um enorme retrocesso e a confirmação de que não somos capazes. Precisamos sim, dar garantias para os mercados de que somos capazes de segregar o uso, e em um cenário de concorrência global, essa capacidade é um diferencial competitivo estratégico.</p>
<p>Isso não apenas atende às exigências dos mercados mais restritivos, como também agrega valor ao produto brasileiro, que pode ser oferecido com diferentes níveis de certificação.</p>
<p>E para que essa segmentação seja viável, a rastreabilidade individual dos animais torna-se mais do que uma ferramenta logística: ela é a base para qualquer tipo de segregação. Sem um sistema que identifique cada animal desde a origem até o abate, não é possível atestar, com credibilidade, que um lote atende a padrões específicos, como a ausência de antibióticos ou o uso controlado de hormônios.</p>
<p>No entanto, a implementação eficaz de qualquer ferramenta de segregação depende do comprometimento de todos os elos da cadeia de valor, do produtor rural à indústria de processamento, já que cada etapa precisa registrar e compartilhar informações de forma padronizada e confiável. O produtor rural, por exemplo, deve registrar o nascimento, a alimentação, as medicações e o manejo sanitário de cada animal. A indústria de processamento, por sua vez, precisa integrar esses dados ao sistema de abate e desossa, garantindo que o produto final mantenha a identidade de origem.</p>
<p>E nesse contexto, as fábricas de insumos, como as de ração e medicamentos veterinários, desempenham um papel central, afinal são elas que fornecem os insumos que determinam as características do produto final. Sem o compromisso dessas indústrias em rotular, registrar e rastrear seus próprios produtos, todo o processo de produção da carne fica incompleto.</p>
<p>Portanto, é urgente que o setor como um todo avance na criação de um portfólio de produtos brasileiros que demonstre, de forma clara e auditável, as características de cada oferta. Esse portfólio deve incluir desde carnes produzidas com todas as tecnologias disponíveis até aquelas que atendem a protocolos específicos, como orgânicos, livres de antibióticos ou com uso restrito de hormônios.</p>
<p>A construção desse catálogo de mercadorias exige investimento em sistemas de informação, capacitação técnica e alinhamento entre todos os agentes da cadeia. O Brasil já possui a escala e a competência técnica para liderar esse movimento. Agora, precisa demonstrar ao mundo que é capaz de oferecer garantias à altura da sua posição de maior produtor de proteína animal, respeitando a diversidade de exigências dos mercados consumidores e consolidando sua reputação como fornecedor confiável, seguro e inovador.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Cada um por sim e Deus por todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 15:55:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A desunião da cadeia da pecuária de corte no Brasil é um paradoxo que se torna cada vez mais insustentável, afinal possuímos o maior rebanho comercial do mundo, somos líderes históricos em exportação, mas internamente operamos como um conjunto de feudos isolados. Cada elo da cadeia, do produtor ao frigorífico, passando pela indústria de insumos&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/cada-um-por-sim-e-deus-por-todos/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Cada um por sim e Deus por todos</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A desunião da cadeia da pecuária de corte no Brasil é um paradoxo que se torna cada vez mais insustentável, afinal possuímos o maior rebanho comercial do mundo, somos líderes históricos em exportação, mas internamente operamos como um conjunto de feudos isolados. Cada elo da cadeia, do produtor ao frigorífico, passando pela indústria de insumos e pelo varejo, defende seu território com unhas e dentes, o que é legítimo em um ambiente de negócios competitivo.</p>
<p>No entanto, essa fragmentação deixou de ser uma questão estratégica para se tornar um entrave sistêmico, e a guerra de posições, onde cada um só quer saber de proteger o seu quinhão, está corroendo a competitividade da proteína animal brasileira no cenário global, e o preço dessa desunião é alto e mensurável.</p>
<p>Semanalmente, a China, nosso maior comprador, suspende a habilitação de algum frigorífico brasileiro sob a alegação de excesso de resíduos químicos na carne, e essas suspensões não são eventos isolados, são o reflexo de uma cadeia que não consegue alinhar responsabilidades e rastreabilidade. Enquanto isso, estamos fora da lista de países autorizados a exportar para a União Europeia, um mercado de alto valor agregado que exige conformidade sanitária e ambiental rigorosa.</p>
<p>A perda não é apenas financeira, mas também reputacional. O Brasil, que deveria ser sinônimo de produção sustentável e segura, é visto com desconfiança por compradores exigentes, justamente por não conseguir demonstrar coesão em seus processos produtivos, e enfrenta gargalos que são inaceitáveis para um país que se pretende líder.</p>
<p>Um exemplo emblemático é a dificuldade crônica em oferecer o número mínimo necessário de doses de vacinas contra clostridiose para atender ao rebanho, já que essa é uma doença prevenível, de manejo básico, mas a falta de planejamento integrado entre governo, laboratórios, distribuidores e produtores resulta em desabastecimento e aumento da mortalidade animal. Até quando iremos continuar perdendo tempo, dinheiro e mercados?</p>
<p>A resposta está na ausência de uma visão coletiva, onde cada ator da cadeia prioriza sua margem imediata, e o sistema como um todo perde eficiência. É preciso, portanto, colocar os pontos em comum sobre a mesa e deixar de lado as disputas menores.</p>
<p>A defesa legítima de cada segmento não pode se sobrepor à necessidade de construir uma agenda unificada. O produtor precisa de rentabilidade, o frigorífico de escala e a indústria de insumos de previsibilidade. Esses interesses não são antagônicos, e sim, eles podem convergir se houver coordenação. A China não suspende frigoríficos por acaso, suspende porque há resíduos que poderiam ser evitados com protocolos compartilhados. A União Europeia não nos exclui por preconceito, exclui porque não apresentamos garantias sistêmicas. E a falta de vacinas não é um acidente de mercado, é o resultado de uma cadeia que não dialoga.</p>
<p>O tamanho do rebanho brasileiro é uma vantagem natural, mas não é suficiente para sustentar a liderança, até porque, em um mercado global cada vez mais regulado e competitivo, a desunião é um luxo que não podemos mais pagar. Ou a pecuária de corte brasileira aprende a articular seus interesses em torno de padrões comuns de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, ou continuará perdendo espaço para concorrentes que, mesmo com rebanhos menores, oferecem o que o mercado exige: previsibilidade, confiança e garantia de origem.</p>
<p>A guerra interna precisa acabar, não por generosidade, mas por pragmatismo, porque o inimigo não está dentro da cadeia; está fora!</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Na guerra só existem perdedores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 14:11:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O debate sobre a proibição de antimicrobianos na produção agropecuária brasileira alcançou um ponto crítico com a recente movimentação da indústria de processamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pleiteando o alinhamento das restrições nacionais às moléculas já banidas pelo regulamento europeu, uma postura que, na prática, representa um grave retrocesso e&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/na-guerra-so-existem-perdedores/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Na guerra só existem perdedores</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a proibição de antimicrobianos na produção agropecuária brasileira alcançou um ponto crítico com a recente movimentação da indústria de processamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pleiteando o alinhamento das restrições nacionais às moléculas já banidas pelo regulamento europeu, uma postura que, na prática, representa um grave retrocesso e expõe a imaturidade estrutural da cadeia produtiva brasileira.</p>
<p>O cerne da questão não reside na necessidade de atender, ou não, às imposições dos países compradores, mas na forma desarticulada e oportunista com que os elos da cadeia se posicionam diante de um desafio que deveria ser coletivo, e pelo bem da verdade, tem sido assim desde o início dessa discussão, lá em 2019. De um lado, o produtor rural brasileiro se vê pressionado a adotar práticas que geram custos adicionais significativos. Por outro lado, a indústria de processamento pensando somente em não perder o mercado.</p>
<p>Ao exigir que o campo elimine o uso de antimicrobianos sem um plano de compensação ou incentivo é transferir o ônus de uma exigência de mercado para quem já opera com margens estreitas, mas até aí, cada um com seus problemas, afinal a relação custo de produção e margem de lucro é intrínseca da atividade. Mas atuar para garantir que o produto chegue às prateleiras dos consumidores de maneira que atenda às exigências também é de responsabilidade da indústria.</p>
<p>Mas o problema é que, nunca foi dada a devida importância para esse problema que todos sabiam que iria acontecer no ano de 2026. O departamento de saúde animal do MAPA, que é quem deveria ser o protagonista na construção de uma alternativa tecnicamente viável, cobrava o setor privado sem aquele entusiasmo típico do setor público. Já o setor privado, só passou a sentar na mesa para discutir efetivamente o tema no último ano, como se estivesse à espera de algo que prorrogasse a decisão do velho continente.</p>
<p>Deu no que deu! E se nada for feito, no início de setembro estaremos proibidos de mandar carne bovina para a Europa. É um claro sinal de que, em uma guerra, todos perdem.</p>
<p>O cenário ideal para o Brasil não é o de alinhamento cego às regras europeias, mas o de construção de um modelo próprio, competitivo e que garanta a segregação do uso. O continente europeu é, de fato, um destino relevante para produtos de alto valor agregado e representa um selo de qualidade que qualquer país exportador almeja, devendo ser visto como uma referência de qualidade, e o Brasil precisa desenvolver suas métricas de segurança, baseadas em ciência, viabilidade econômica e diálogo setorial, e não em pressões unilaterais de um elo da cadeia.</p>
<p>Este é o momento de construir pontes, não de explodi-las.</p>
<p>A cadeia produtiva brasileira precisa amadurecer e reconhecer que a competitividade internacional não se constrói com imposições, mas com parcerias sólidas e responsabilidades compartilhadas. Exigir do produtor o cumprimento de padrões europeus sem lhe garantir o devido retorno financeiro é insustentável a longo prazo. Da mesma forma, a indústria não pode se furtar ao papel de parceira no desenvolvimento de alternativas viáveis e na remuneração justa pelo esforço de adequação, cobrando seu serviço do consumidor, afinal ele sim é o todo poderoso.</p>
<p>O Brasil tem potencial para ser líder global em produção com qualidade e sustentabilidade, mas isso exige coesão interna, respeito entre os elos da cadeia e uma visão estratégica que vá além do curto prazo. O caminho não é a cópia acrítica de regulamentações alheias, mas a construção de um modelo que equilibre rastreabilidade, sanidade, produtividade e justiça econômica para todos os envolvidos.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Ser ou não ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 14:05:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, encontra o Brasil em uma posição singular e contraditória. De um lado, o país ostenta números e práticas que o colocam na vanguarda da produção sustentável global; de outro, a ausência de uma ferramenta estratégica impede que esse potencial seja plenamente reconhecido e&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/ser-ou-nao-ser/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Ser ou não ser</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, encontra o Brasil em uma posição singular e contraditória. De um lado, o país ostenta números e práticas que o colocam na vanguarda da produção sustentável global; de outro, a ausência de uma ferramenta estratégica impede que esse potencial seja plenamente reconhecido e recompensado nos mercados mais exigentes.</p>
<p>É inegável que o Brasil tem muito a comemorar, afinal somos o maior produtor mundial de proteína, fibras e energia limpa, um feito que poucas nações conseguem igualar. A redução consistente das taxas de desmatamento, especialmente na Amazônia, demonstra um compromisso renovado com a preservação ambiental, ainda que os desafios persistam, porém, esses avanços não são fruto do acaso, mas sim de décadas de investimento em ciência e tecnologia aplicadas ao campo.</p>
<p>O setor agropecuário brasileiro adota em escala comercial práticas que muitos países ainda discutem em nível experimental. O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, é um biocombustível que reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina, consolidando o Brasil como referência em mobilidade sustentável. O sistema de plantio direto, que elimina a aração do solo e mantém a palhada sobre a terra, revolucionou a conservação dos recursos hídricos e a saúde do solo em milhões de hectares.</p>
<p>A integração lavoura-pecuária-floresta, por sua vez, é um modelo de produção que sequestra carbono, recupera pastagens degradadas e diversifica a renda do produtor rural, tudo em uma mesma área. Mais recentemente, o avanço dos defensivos e fertilizantes biológicos, os bioinsumos, tem reduzido a dependência de químicos sintéticos, promovendo um equilíbrio ecológico nas lavouras. Essas tecnologias, somadas a um rigoroso controle sanitário e a programas de certificação voluntária, já posicionam o Brasil como um dos líderes mundiais em agricultura de baixo carbono.</p>
<p>No entanto, toda essa excelência técnica e ambiental encontra uma barreira invisível, mas intransponível, quando o assunto é acesso aos mercados premium, a falta de um programa de rastreabilidade individual, que permita seguir cada animal desde o campo até o prato do consumidor, é o calcanhar de Aquiles da produção nacional. Enquanto nossos principais concorrentes já implementam sistemas que garantem a origem, o manejo e o impacto ambiental de cada produto, o Brasil ainda opera com controles fragmentados e ineficientes.</p>
<p>Essa lacuna abre espaço para desconfianças, acusações infundadas e, pior, para que produtores sérios sejam penalizados pela falta de transparência de uma minoria. Sem a rastreabilidade individual, o país não consegue comprovar, com a precisão que o mercado exige, que aquele corte de carne de uma área legal, sem desmatamento e com boas práticas.</p>
<p>O resultado é paradoxal: o Brasil produz com qualidade e sustentabilidade, mas não consegue ocupar as melhores prateleiras do planeta, que pagam prêmios por garantias ambientais e sociais.</p>
<p>A solução não está em abandonar as boas práticas que já adotamos, mas em integrá-las a um sistema digital robusto, de baixo custo e amplamente difundido. Iniciativas como o Passaporte da Carne Bovina e plataformas de monitoramento já existem, mas precisam de escala e de um marco regulatório que as torne obrigatórias ou economicamente irresistíveis.</p>
<p>O Brasil está a um passo de transformar sua produção em um ativo global de valor inquestionável. Temos a tecnologia, o conhecimento e o produto, mas falta a decisão de implementar a rastreabilidade individual como padrão, e não como exceção. Quando isso acontecer, o país não apenas comemorará o Dia Mundial do Meio Ambiente com mais orgulho, mas também colherá os frutos de uma liderança que já é real, mas ainda não é plenamente reconhecida.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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