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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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		<title>A bússola da ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 14:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/a-bussola-da-ciencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A bússola da ciência</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado é um caos regulatório cujos danos podem ser irreversíveis.</p>
<p>Um exemplo emblemático desse fenômeno é a regulamentação dos bioinsumos, um campo de inovação constante que já movimenta bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento, mas que permanece travado por disputas ideológicas e pressões de mercado, sim de mercado.</p>
<p>A premissa fundamental de qualquer arcabouço regulatório que se pretenda eficiente é a isenção, afinal as normas devem ser elaboradas com base em dados técnicos, experimentação científica e análise de riscos; não em convicções pessoais ou visões de mundo particulares. A previsibilidade, por sua vez, é o que permite que empresas e investidores planejem suas atividades com segurança, alocando recursos em inovação e produção.</p>
<p>No caso dos bioinsumos, produtos biológicos utilizados na agricultura para controle de pragas e melhoria da produtividade, o potencial é imenso. Trata-se de uma tecnologia que reduz o uso de defensivos químicos, promove a sustentabilidade e gera valor agregado. Contudo, sua regulamentação, que deveria ser um processo técnico e harmonioso para definir critérios de eficácia, segurança e registro, tornou-se um verdadeiro campo de batalha.</p>
<p>O entrave não é técnico, mas sim ideológico e comercial. De um lado, há grupos que defendem uma regulação excessivamente restritiva, baseada em uma visão reativa que desconsidera o acúmulo de evidências científicas. De outro, interesses comerciais de setores estabelecidos, que veem nos bioinsumos uma ameaça a seus mercados e lucros, atuam para retardar ou inviabilizar a aprovação de normas claras, seguras e eficazes.</p>
<p>O resultado é um impasse que condena o Brasil a perder a dianteira em uma área de vanguarda, enquanto outros países avançam com regras objetivas e empresas que investiram bilhões em pesquisa se veem reféns de uma burocracia que não responde a critérios racionais, mas a pressões políticas e corporativas. Esse cenário gera insegurança jurídica, desestimula novos investimentos e compromete a competitividade do agronegócio brasileiro.</p>
<p>A ciência deve ser a bússola de qualquer regulamentação.</p>
<p>Não se trata de negar a importância de debates legítimos sobre impactos ambientais ou sociais, mas de garantir que esses debates sejam informados por dados robustos e não por dogmas. A inovação, por definição, desafia o <em>status quo</em> e exige que as regras evoluam em paralelo. Quando a ideologia trava esse processo, o preço é pago por toda a sociedade: perde-se em produtividade, em sustentabilidade e em competitividade.</p>
<p>Portanto, a saída para o impasse regulatório dos bioinsumos e de outros setores inovadores é o retorno ao que deveria ser o normal, ou seja, regras baseadas em evidências, previsibilidade nos prazos de aprovação e respeito ao devido processo legal. É preciso que os órgãos reguladores atuem com autonomia técnica, blindados contra interferências ideológicas, pressões comerciais e pessoas mal intencionadas.</p>
<p>O Brasil precisa de um pacto pela racionalidade regulatória, onde o mérito científico prevaleça sobre convicções pessoais e onde o interesse público não seja sequestrado por interesses privados; caso contrário, o caos instalado não será apenas um obstáculo temporário, mas uma ferida que inviabilizará o futuro da inovação nacional.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Sal branco e capim colonião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 14:50:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/sal-branco-e-capim-coloniao/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Sal branco e capim colonião</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são fruto de décadas de pesquisa, inovação e trabalho sério de milhares de cientistas, médicos veterinários, zootecnistas e produtores rurais.</p>
<p>A pecuária praticada hoje não tem nada a ver com o passado remoto; é uma atividade moderna, pautada em dados, em genética aprimorada, em manejo racional, na suplementação mineral e em sistemas integrados que respeitam o meio ambiente e o bem-estar animal, onde cada técnica adotada passou por rigorosos testes de segurança e eficiência, sempre dentro dos limites que a ciência e a lei estabelecem.</p>
<p>Portanto, quando alguém sugere que o Brasil deve simplesmente abandonar essas ferramentas, está propondo um retrocesso brutal, uma verdadeira volta à Idade da Pedra, onde o sal branco e o capim colonião reinavam nas paragens do sertão, fazendo a produtividade despencar e a pressão sobre os recursos naturais voltar à casa dos anos 80.</p>
<p>É inaceitável que um país que construiu um dos maiores e mais eficientes rebanhos do mundo justamente por abraçar a tecnologia, seja agora pressionado a abrir mão dela por capricho ideológico ou por falta de informação.</p>
<p>A inovação não é inimiga da saúde e do bem estar do consumidor, pelo contrário, é a maior aliada para produzir mais quilos por hectare ano, para reduzir emissões, para preservar o solo e a água, e para garantir que a carne, o leite e o couro que chegam à mesa do consumidor tenham a mais alta qualidade, e isso só é possível porque muito se investiu em ciência.</p>
<p>Banir tecnologias consolidadas e seguras, sem qualquer evidência que justifique o risco, é um atentado contra o progresso e contra a soberania do setor produtivo nacional e vai contra tudo o que acreditamos. É preciso sim, dar as garantias necessárias aos mercados consumidores do mundo de que o produto brasileiro é seguro, confiável e de qualidade. É preciso criar alternativas para que o setor produtivo do Brasil continue acessando os mercados internacionais, e isso se faz com técnica, com rastreabilidade, com ciência e com comprometimento, demonstrando que tanto o setor regulado, quanto o setor público é capaz de segregar o uso da tecnologia.</p>
<p>Porém, o retrocesso parece iminente, e a medida tomada pela caneta da política vai varrer a discussão técnica e colocar o Brasil no rol dos países que preferem proibir o uso da tecnologia a construir caminhos de longo prazo que garantam a perenidade da atividade.</p>
<p>A pecuária brasileira precisa de respeito pelo trabalho honesto, pela técnica apurada e pela capacidade que o Brasil tem de alimentar o mundo de forma segura. Não se pode aceitar que a ignorância dite as regras de um setor que é sinônimo de excelência e inovação.</p>
<p>A pressão política de 2 ou 3 que se acham acima de tudo e de todos não pode prosperar.</p>
<p>Mais do que nunca, é fundamental a união de todos ao redor de uma mesma mesa, com diálogo, com dados, com pesquisa e com a força da lei, para que o futuro da pecuária continue sendo escrito com base na ciência, e não no medo ou na desinformação.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Fora da lista</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/fora-da-lista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 15:04:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao longo das últimas décadas, a ciência e a pesquisa permitiram o desenvolvimento de tecnologias que otimizam a produção de alimentos com total segurança ao consumidor, como os melhoradores de desempenho, hormônios e antibióticos. Essas ferramentas são aplicadas sob rigoroso controle sanitário e respaldo de órgãos reguladores nacionais e internacionais, garantindo que a proteína animal&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/fora-da-lista/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Fora da lista</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo das últimas décadas, a ciência e a pesquisa permitiram o desenvolvimento de tecnologias que otimizam a produção de alimentos com total segurança ao consumidor, como os melhoradores de desempenho, hormônios e antibióticos. Essas ferramentas são aplicadas sob rigoroso controle sanitário e respaldo de órgãos reguladores nacionais e internacionais, garantindo que a proteína animal chegue à mesa do consumidor com qualidade e total ausência de riscos à saúde.</p>
<p>Porém, como sempre tem um porém, o mercado global não é homogêneo e existem compradores extremamente exigentes que optam por não adquirir produtos que tenham feito uso dessas tecnologias. Esse é um direito legítimo do consumidor, e cabe ao Brasil, como líder global, respeitar essa demanda e oferecer garantias robustas para atender a todos os perfis de mercado, do mais ao menos restritivo. E esse episódio com a União Europeia é um ótimo exemplo.</p>
<p>Mais do que perder um faturamento de 2 bilhões de dólares, ficar de fora da lista do mercado europeu significa um duro golpe na reputação da produção nacional, pois evidencia que não conseguimos oferecer as garantias de controle do não uso das tecnologias listadas. E esse é o ponto, não adianta banir o uso da tecnologia, isso seria um enorme retrocesso e a confirmação de que não somos capazes. Precisamos sim, dar garantias para os mercados de que somos capazes de segregar o uso, e em um cenário de concorrência global, essa capacidade é um diferencial competitivo estratégico.</p>
<p>Isso não apenas atende às exigências dos mercados mais restritivos, como também agrega valor ao produto brasileiro, que pode ser oferecido com diferentes níveis de certificação.</p>
<p>E para que essa segmentação seja viável, a rastreabilidade individual dos animais torna-se mais do que uma ferramenta logística: ela é a base para qualquer tipo de segregação. Sem um sistema que identifique cada animal desde a origem até o abate, não é possível atestar, com credibilidade, que um lote atende a padrões específicos, como a ausência de antibióticos ou o uso controlado de hormônios.</p>
<p>No entanto, a implementação eficaz de qualquer ferramenta de segregação depende do comprometimento de todos os elos da cadeia de valor, do produtor rural à indústria de processamento, já que cada etapa precisa registrar e compartilhar informações de forma padronizada e confiável. O produtor rural, por exemplo, deve registrar o nascimento, a alimentação, as medicações e o manejo sanitário de cada animal. A indústria de processamento, por sua vez, precisa integrar esses dados ao sistema de abate e desossa, garantindo que o produto final mantenha a identidade de origem.</p>
<p>E nesse contexto, as fábricas de insumos, como as de ração e medicamentos veterinários, desempenham um papel central, afinal são elas que fornecem os insumos que determinam as características do produto final. Sem o compromisso dessas indústrias em rotular, registrar e rastrear seus próprios produtos, todo o processo de produção da carne fica incompleto.</p>
<p>Portanto, é urgente que o setor como um todo avance na criação de um portfólio de produtos brasileiros que demonstre, de forma clara e auditável, as características de cada oferta. Esse portfólio deve incluir desde carnes produzidas com todas as tecnologias disponíveis até aquelas que atendem a protocolos específicos, como orgânicos, livres de antibióticos ou com uso restrito de hormônios.</p>
<p>A construção desse catálogo de mercadorias exige investimento em sistemas de informação, capacitação técnica e alinhamento entre todos os agentes da cadeia. O Brasil já possui a escala e a competência técnica para liderar esse movimento. Agora, precisa demonstrar ao mundo que é capaz de oferecer garantias à altura da sua posição de maior produtor de proteína animal, respeitando a diversidade de exigências dos mercados consumidores e consolidando sua reputação como fornecedor confiável, seguro e inovador.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Cada um por sim e Deus por todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 15:55:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A desunião da cadeia da pecuária de corte no Brasil é um paradoxo que se torna cada vez mais insustentável, afinal possuímos o maior rebanho comercial do mundo, somos líderes históricos em exportação, mas internamente operamos como um conjunto de feudos isolados. Cada elo da cadeia, do produtor ao frigorífico, passando pela indústria de insumos&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/cada-um-por-sim-e-deus-por-todos/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Cada um por sim e Deus por todos</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A desunião da cadeia da pecuária de corte no Brasil é um paradoxo que se torna cada vez mais insustentável, afinal possuímos o maior rebanho comercial do mundo, somos líderes históricos em exportação, mas internamente operamos como um conjunto de feudos isolados. Cada elo da cadeia, do produtor ao frigorífico, passando pela indústria de insumos e pelo varejo, defende seu território com unhas e dentes, o que é legítimo em um ambiente de negócios competitivo.</p>
<p>No entanto, essa fragmentação deixou de ser uma questão estratégica para se tornar um entrave sistêmico, e a guerra de posições, onde cada um só quer saber de proteger o seu quinhão, está corroendo a competitividade da proteína animal brasileira no cenário global, e o preço dessa desunião é alto e mensurável.</p>
<p>Semanalmente, a China, nosso maior comprador, suspende a habilitação de algum frigorífico brasileiro sob a alegação de excesso de resíduos químicos na carne, e essas suspensões não são eventos isolados, são o reflexo de uma cadeia que não consegue alinhar responsabilidades e rastreabilidade. Enquanto isso, estamos fora da lista de países autorizados a exportar para a União Europeia, um mercado de alto valor agregado que exige conformidade sanitária e ambiental rigorosa.</p>
<p>A perda não é apenas financeira, mas também reputacional. O Brasil, que deveria ser sinônimo de produção sustentável e segura, é visto com desconfiança por compradores exigentes, justamente por não conseguir demonstrar coesão em seus processos produtivos, e enfrenta gargalos que são inaceitáveis para um país que se pretende líder.</p>
<p>Um exemplo emblemático é a dificuldade crônica em oferecer o número mínimo necessário de doses de vacinas contra clostridiose para atender ao rebanho, já que essa é uma doença prevenível, de manejo básico, mas a falta de planejamento integrado entre governo, laboratórios, distribuidores e produtores resulta em desabastecimento e aumento da mortalidade animal. Até quando iremos continuar perdendo tempo, dinheiro e mercados?</p>
<p>A resposta está na ausência de uma visão coletiva, onde cada ator da cadeia prioriza sua margem imediata, e o sistema como um todo perde eficiência. É preciso, portanto, colocar os pontos em comum sobre a mesa e deixar de lado as disputas menores.</p>
<p>A defesa legítima de cada segmento não pode se sobrepor à necessidade de construir uma agenda unificada. O produtor precisa de rentabilidade, o frigorífico de escala e a indústria de insumos de previsibilidade. Esses interesses não são antagônicos, e sim, eles podem convergir se houver coordenação. A China não suspende frigoríficos por acaso, suspende porque há resíduos que poderiam ser evitados com protocolos compartilhados. A União Europeia não nos exclui por preconceito, exclui porque não apresentamos garantias sistêmicas. E a falta de vacinas não é um acidente de mercado, é o resultado de uma cadeia que não dialoga.</p>
<p>O tamanho do rebanho brasileiro é uma vantagem natural, mas não é suficiente para sustentar a liderança, até porque, em um mercado global cada vez mais regulado e competitivo, a desunião é um luxo que não podemos mais pagar. Ou a pecuária de corte brasileira aprende a articular seus interesses em torno de padrões comuns de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, ou continuará perdendo espaço para concorrentes que, mesmo com rebanhos menores, oferecem o que o mercado exige: previsibilidade, confiança e garantia de origem.</p>
<p>A guerra interna precisa acabar, não por generosidade, mas por pragmatismo, porque o inimigo não está dentro da cadeia; está fora!</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Na guerra só existem perdedores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 14:11:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O debate sobre a proibição de antimicrobianos na produção agropecuária brasileira alcançou um ponto crítico com a recente movimentação da indústria de processamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pleiteando o alinhamento das restrições nacionais às moléculas já banidas pelo regulamento europeu, uma postura que, na prática, representa um grave retrocesso e&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/na-guerra-so-existem-perdedores/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Na guerra só existem perdedores</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a proibição de antimicrobianos na produção agropecuária brasileira alcançou um ponto crítico com a recente movimentação da indústria de processamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pleiteando o alinhamento das restrições nacionais às moléculas já banidas pelo regulamento europeu, uma postura que, na prática, representa um grave retrocesso e expõe a imaturidade estrutural da cadeia produtiva brasileira.</p>
<p>O cerne da questão não reside na necessidade de atender, ou não, às imposições dos países compradores, mas na forma desarticulada e oportunista com que os elos da cadeia se posicionam diante de um desafio que deveria ser coletivo, e pelo bem da verdade, tem sido assim desde o início dessa discussão, lá em 2019. De um lado, o produtor rural brasileiro se vê pressionado a adotar práticas que geram custos adicionais significativos. Por outro lado, a indústria de processamento pensando somente em não perder o mercado.</p>
<p>Ao exigir que o campo elimine o uso de antimicrobianos sem um plano de compensação ou incentivo é transferir o ônus de uma exigência de mercado para quem já opera com margens estreitas, mas até aí, cada um com seus problemas, afinal a relação custo de produção e margem de lucro é intrínseca da atividade. Mas atuar para garantir que o produto chegue às prateleiras dos consumidores de maneira que atenda às exigências também é de responsabilidade da indústria.</p>
<p>Mas o problema é que, nunca foi dada a devida importância para esse problema que todos sabiam que iria acontecer no ano de 2026. O departamento de saúde animal do MAPA, que é quem deveria ser o protagonista na construção de uma alternativa tecnicamente viável, cobrava o setor privado sem aquele entusiasmo típico do setor público. Já o setor privado, só passou a sentar na mesa para discutir efetivamente o tema no último ano, como se estivesse à espera de algo que prorrogasse a decisão do velho continente.</p>
<p>Deu no que deu! E se nada for feito, no início de setembro estaremos proibidos de mandar carne bovina para a Europa. É um claro sinal de que, em uma guerra, todos perdem.</p>
<p>O cenário ideal para o Brasil não é o de alinhamento cego às regras europeias, mas o de construção de um modelo próprio, competitivo e que garanta a segregação do uso. O continente europeu é, de fato, um destino relevante para produtos de alto valor agregado e representa um selo de qualidade que qualquer país exportador almeja, devendo ser visto como uma referência de qualidade, e o Brasil precisa desenvolver suas métricas de segurança, baseadas em ciência, viabilidade econômica e diálogo setorial, e não em pressões unilaterais de um elo da cadeia.</p>
<p>Este é o momento de construir pontes, não de explodi-las.</p>
<p>A cadeia produtiva brasileira precisa amadurecer e reconhecer que a competitividade internacional não se constrói com imposições, mas com parcerias sólidas e responsabilidades compartilhadas. Exigir do produtor o cumprimento de padrões europeus sem lhe garantir o devido retorno financeiro é insustentável a longo prazo. Da mesma forma, a indústria não pode se furtar ao papel de parceira no desenvolvimento de alternativas viáveis e na remuneração justa pelo esforço de adequação, cobrando seu serviço do consumidor, afinal ele sim é o todo poderoso.</p>
<p>O Brasil tem potencial para ser líder global em produção com qualidade e sustentabilidade, mas isso exige coesão interna, respeito entre os elos da cadeia e uma visão estratégica que vá além do curto prazo. O caminho não é a cópia acrítica de regulamentações alheias, mas a construção de um modelo que equilibre rastreabilidade, sanidade, produtividade e justiça econômica para todos os envolvidos.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Ser ou não ser</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/ser-ou-nao-ser/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 14:05:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, encontra o Brasil em uma posição singular e contraditória. De um lado, o país ostenta números e práticas que o colocam na vanguarda da produção sustentável global; de outro, a ausência de uma ferramenta estratégica impede que esse potencial seja plenamente reconhecido e&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/ser-ou-nao-ser/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Ser ou não ser</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, encontra o Brasil em uma posição singular e contraditória. De um lado, o país ostenta números e práticas que o colocam na vanguarda da produção sustentável global; de outro, a ausência de uma ferramenta estratégica impede que esse potencial seja plenamente reconhecido e recompensado nos mercados mais exigentes.</p>
<p>É inegável que o Brasil tem muito a comemorar, afinal somos o maior produtor mundial de proteína, fibras e energia limpa, um feito que poucas nações conseguem igualar. A redução consistente das taxas de desmatamento, especialmente na Amazônia, demonstra um compromisso renovado com a preservação ambiental, ainda que os desafios persistam, porém, esses avanços não são fruto do acaso, mas sim de décadas de investimento em ciência e tecnologia aplicadas ao campo.</p>
<p>O setor agropecuário brasileiro adota em escala comercial práticas que muitos países ainda discutem em nível experimental. O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, é um biocombustível que reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina, consolidando o Brasil como referência em mobilidade sustentável. O sistema de plantio direto, que elimina a aração do solo e mantém a palhada sobre a terra, revolucionou a conservação dos recursos hídricos e a saúde do solo em milhões de hectares.</p>
<p>A integração lavoura-pecuária-floresta, por sua vez, é um modelo de produção que sequestra carbono, recupera pastagens degradadas e diversifica a renda do produtor rural, tudo em uma mesma área. Mais recentemente, o avanço dos defensivos e fertilizantes biológicos, os bioinsumos, tem reduzido a dependência de químicos sintéticos, promovendo um equilíbrio ecológico nas lavouras. Essas tecnologias, somadas a um rigoroso controle sanitário e a programas de certificação voluntária, já posicionam o Brasil como um dos líderes mundiais em agricultura de baixo carbono.</p>
<p>No entanto, toda essa excelência técnica e ambiental encontra uma barreira invisível, mas intransponível, quando o assunto é acesso aos mercados premium, a falta de um programa de rastreabilidade individual, que permita seguir cada animal desde o campo até o prato do consumidor, é o calcanhar de Aquiles da produção nacional. Enquanto nossos principais concorrentes já implementam sistemas que garantem a origem, o manejo e o impacto ambiental de cada produto, o Brasil ainda opera com controles fragmentados e ineficientes.</p>
<p>Essa lacuna abre espaço para desconfianças, acusações infundadas e, pior, para que produtores sérios sejam penalizados pela falta de transparência de uma minoria. Sem a rastreabilidade individual, o país não consegue comprovar, com a precisão que o mercado exige, que aquele corte de carne de uma área legal, sem desmatamento e com boas práticas.</p>
<p>O resultado é paradoxal: o Brasil produz com qualidade e sustentabilidade, mas não consegue ocupar as melhores prateleiras do planeta, que pagam prêmios por garantias ambientais e sociais.</p>
<p>A solução não está em abandonar as boas práticas que já adotamos, mas em integrá-las a um sistema digital robusto, de baixo custo e amplamente difundido. Iniciativas como o Passaporte da Carne Bovina e plataformas de monitoramento já existem, mas precisam de escala e de um marco regulatório que as torne obrigatórias ou economicamente irresistíveis.</p>
<p>O Brasil está a um passo de transformar sua produção em um ativo global de valor inquestionável. Temos a tecnologia, o conhecimento e o produto, mas falta a decisão de implementar a rastreabilidade individual como padrão, e não como exceção. Quando isso acontecer, o país não apenas comemorará o Dia Mundial do Meio Ambiente com mais orgulho, mas também colherá os frutos de uma liderança que já é real, mas ainda não é plenamente reconhecida.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>É hora de agir!</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/e-hora-de-agir/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 17:48:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A recente série de bombardeios às exportações de carne bovina brasileira expõe uma crise que vai além de questões sanitárias pontuais. Nos últimos dias, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países aptos a exportar, seguida pela suspensão de mais três unidades frigoríficas para a China. Este cenário não é fruto do acaso,&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/e-hora-de-agir/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">É hora de agir!</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A recente série de bombardeios às exportações de carne bovina brasileira expõe uma crise que vai além de questões sanitárias pontuais. Nos últimos dias, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países aptos a exportar, seguida pela suspensão de mais três unidades frigoríficas para a China. Este cenário não é fruto do acaso, mas sim o resultado de um acúmulo de fragilidades estruturais que o país insiste em não corrigir. Mas a pergunta, embora que proibida, é direta: estamos dando motivos para retaliações?</p>
<p>Porém, para compreender o que está acontecendo, é preciso analisar o contexto das exigências internacionais, onde tanto a União Europeia quanto a China têm elevado seus padrões de controle de qualidade, sanitário e socioambiental, e a carne brasileira, que já enfrentava desconfianças por desmatamento ilegal, agora vê sua credibilidade arranhada diante de falhas sistemáticas de fiscalização.</p>
<p>Mas as sanções não são atos arbitrários, e sim decorrentes de não conformidades detectadas em auditorias, como a presença de substâncias além do permitido, falhas na identificação de origem animal e lacunas nos sistemas de controle, e quando um país fecha suas portas, não está apenas punindo, mas protegendo seus consumidores e sua própria reputação sanitária.</p>
<p>No entanto, a narrativa de que o Brasil é vítima de retaliações comerciais disfarçadas de barreiras sanitárias precisa ser revista com honestidade.</p>
<p>No caso da União Europeia por exemplo, a o Brasil foi avisado em 2023 e embora existam sim interesses geopolíticos e protecionismo disfarçados, o Brasil tem oferecido munição para críticas. Por que o Argentina, o Uruguai e o Paraguai não sofreram as mesmas restrições? Talvez a resposta esteja na falta de ações efetivas e de transparência.</p>
<p>Por exemplo, no final de 2024 o Brasil aprovou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, o PNIB, que até hoje não foi implementado por que simplesmente não existe um sistema capaz de fazer a interligação dos dados estaduais com a base federal, e infelizmente esse tem sido o calcanhar de Aquiles da pecuária nacional, afinal sem um sistema robusto de rastreabilidade individual não há como provar, com precisão, que um lote de carne não está vinculado a áreas desmatadas ilegalmente a falhas sanitárias.</p>
<p>A rastreabilidade individual não é uma utopia, mas uma tecnologia já disponível e utilizada por todos os nossos grandes concorrentes, e se implementada em larga escala no Brasil, ela transformaria a pecuária em um setor de transparência total. Mais do que isso, daria ao Brasil um argumento irrefutável contra acusações infundadas.</p>
<p>Se a rastreabilidade individual brasileira funcionasse, o cenário atual seria radicalmente diferente e o Brasil não teria que se defender de suspeitas genéricas e simplesmente poderia apresentar dados concretos de cada lote exportado. As auditorias internacionais deixariam de ser um jogo de adivinhação e se tornariam verificações de sistemas confiáveis. A União Europeia e a China, em vez de suspenderem unidades, estariam negociando acordos de equivalência sanitária baseados em evidências.</p>
<p>O Brasil precisa decidir se continuará reagindo a embargos com promessas de melhoria ou se adotará, de uma vez por todas, a rastreabilidade individual como pilar estratégico, já que o momento exige ação concreta, não retórica.</p>
<p>É hora de agir, e não reagir!</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Uma guerra ideológica</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/uma-guerra-ideologica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 14:24:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A publicação conjunta da Portaria MMA/IBAMA/MS/ANVISA nº 1.651, de 2026, gerou imediato e justificado desconforto entre especialistas e profissionais do setor regulatório, especialmente pela aparente contradição com os princípios e dispositivos estabelecidos pela Lei nº 14.785, de 2023, esta que representa um marco na modernização e harmonização dos processos de registro e controle de agrotóxicos&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/uma-guerra-ideologica/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Uma guerra ideológica</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A publicação conjunta da Portaria MMA/IBAMA/MS/ANVISA nº 1.651, de 2026, gerou imediato e justificado desconforto entre especialistas e profissionais do setor regulatório, especialmente pela aparente contradição com os princípios e dispositivos estabelecidos pela Lei nº 14.785, de 2023, esta que representa um marco na modernização e harmonização dos processos de registro e controle de agrotóxicos no Brasil, foi concebida após amplo debate legislativo para trazer segurança jurídica, previsibilidade e eficiência às cadeias produtivas, sem, contudo, abrir mão dos rigorosos padrões de proteção à saúde humana e ao meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 14.785/2023 consolidou um sistema de análise de risco compartilhado entre os órgãos competentes, mas com critérios objetivos e prazos definidos para cada etapa, buscando eliminar redundâncias e conflitos de competência que historicamente travavam a análise de produtos essenciais para a agricultura, ao mesmo tempo em que fortalecia a transparência e a participação social. A portaria de 2026, no entanto, parece recriar entraves burocráticos que a lei pretendia extinguir, introduzindo exigências que não encontram amparo no texto legal vigente, configurando uma afronta ao devido processo legal e à hierarquia normativa que deve reger a administração pública federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos mais críticos é a tentativa da portaria de redefinir, por meio de instrução normativa conjunta, conceitos e procedimentos que a lei já tratou de forma exaustiva, uma vez que a Lei nº 14.785/2023, por exemplo, estabeleceu critérios precisos para a classificação do potencial de periculosidade ambiental e para a avaliação de eficácia agronômica, delegando ao órgão regulador a competência para detalhar aspectos técnicos, mas jamais para contrariar o espírito da norma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao impor novos requisitos ou reinterpretar dispositivos legais de maneira restritiva, a portaria de 2026 incorre em ilegalidade, pois invade a reserva legal e desrespeita o princípio da separação dos poderes. Essa postura não apenas gera estranheza, mas também compromete a segurança dos agentes econômicos, que pautaram suas estratégias e investimentos com base na nova lei, e agora se veem diante de um ato infralegal que subverte a lógica aprovada pelo Congresso Nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do vício de legalidade, a portaria representa um retrocesso na política de desburocratização e incentivo à inovação, reintroduzindo incertezas e possivelmente alongando prazos, e pior, gerando um ambiente de instabilidade regulatória que desestimula investimentos e prejudica a capacidade do país de responder a desafios fitossanitários e climáticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estranheza causada por esse ato normativo infralegal não é fruto de uma interpretação equivocada, mas sim de uma clara contradição entre o que o legislador determinou e o que o Executivo pretende impor, e a manutenção dessa portaria não apenas fere a hierarquia das leis, mas também a credibilidade do sistema regulatório brasileiro, que precisa ser pautado pela previsibilidade e pelo respeito ao ordenamento jurídico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sociedade, o setor produtivo e os próprios servidores públicos envolvidos na aplicação da lei merecem clareza e coerência, e não um emaranhado de regras conflitantes que só geram insegurança e litígios. A correção desse rumo é urgente e necessária para que a lei de 2023 possa cumprir seu papel de modernizar e fortalecer a regulação de agrotóxicos no Brasil, sem desvios ou retrocessos, e tire o Brasil definitivamente dessa guerra ideológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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		<title>Cadê a vacina doutor?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 12:58:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pecuária brasileira, pilar fundamental do agronegócio nacional, enfrenta um desafio sanitário que transcende a esfera técnica e adentra o campo da gestão pública. A clostridiose, uma enfermidade infecciosa de alta letalidade causada por bactérias do gênero Clostridium e que tem provocado um número alarmante de mortes em rebanhos bovinos e ovinos. O agravante, no&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/cade-a-vacina-doutor/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Cadê a vacina doutor?</span></a></p>
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<p class="wp-block-paragraph">A pecuária brasileira, pilar fundamental do agronegócio nacional, enfrenta um desafio sanitário que transcende a esfera técnica e adentra o campo da gestão pública. A clostridiose, uma enfermidade infecciosa de alta letalidade causada por bactérias do gênero <em>Clostridium</em> e que tem provocado um número alarmante de mortes em rebanhos bovinos e ovinos. O agravante, no entanto, não reside apenas na virulência do patógeno, mas na escassez crítica de vacinas no mercado. A falta de planejamento do Ministério da Agricultura e Pecuária expõe os produtores a perdas econômicas severas e coloca em xeque a credibilidade das políticas de sanidade animal no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A clostridiose manifesta-se de forma aguda, frequentemente fatal, e sem sinais clínicos evidentes. Doenças como o carbúnculo sintomático, a enterotoxemia e o edema maligno são responsáveis por surtos que dizimam lotes inteiros em poucas horas. A profilaxia, nesse contexto, depende exclusivamente da vacinação sistemática do rebanho, e quando o imunizante falta, a pecuária fica refém de um ciclo de perdas que se retroalimenta: o animal morre, o produtor perde capital, e a confiança no sistema de defesa sanitária se esvai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário atual é de desabastecimento generalizado onde diversos laboratórios produtores relataram dificuldades na obtenção de matéria-prima e na logística de distribuição, mas o problema estrutural reside na ausência de um plano estratégico governamental. O MAPA, como órgão regulador e fomentador da sanidade, falha ao não antecipar a demanda, não estabelecer estoques reguladores e não articular com a indústria para garantir a produção contínua. A falta de vacina não é um evento climático ou uma fatalidade; é uma grande demonstração de falta de compromisso com o tema, um erro de gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se que a mortalidade por clostridiose em rebanhos não vacinados pode superar 10% do efetivo, resultando em prejuízos milionários para o pecuarista. Além da perda do animal em si, há o custo do descarte, a redução na taxa de natalidade e a desvalorização genética do plantel. Em um mercado onde a margem de lucro já é estreita, a ausência de uma vacina que custa centavos por dose transforma a atividade em um jogo de alto risco, ou seja, as consequências econômicas são imediatas e profundas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de planejamento do departamento de saúde animal do MAPA também compromete a imagem do Brasil como exportador de carne. Países importadores, cada vez mais exigentes quanto à rastreabilidade e ao status sanitário dos rebanhos, podem impor barreiras comerciais diante da incapacidade de controle de uma doença prevenível. O prejuízo, portanto, não é apenas do produtor rural, mas de toda a cadeia produtiva e da balança comercial nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa crise expõe uma fragilidade sistêmica que não pode ser atribuída apenas ao acaso ou à sazonalidade, é a ponta de um iceberg de descoordenação entre o poder público e o setor produtivo. E para reverter esse quadro, é urgente que o Ministério da Agricultura assuma sua responsabilidade, implemente um plano de contingência robusto, dialogue com os laboratórios para garantir o fornecimento e crie mecanismos de monitoramento que evitem novos desabastecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pecuária brasileira não pode continuar refém de uma política sanitária reativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção é o único caminho viável, e ela começa com compromisso, planejamento, transparência e ação coordenada. Sem vacina, o rebanho morre; sem planejamento, a credibilidade do setor público também sucumbe. A hora de agir é agora, antes que o prejuízo econômico se torne irreversível e a confiança do produtor, definitivamente perdida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>A máquina pública</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 14:50:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A administração pública brasileira enfrenta um desafio sistêmico que compromete a qualidade dos serviços prestados ao cidadão: a combinação de servidores desmotivados, processos excessivamente burocráticos e uma estrutura organizacional que prioriza o formalismo em detrimento da eficiência. Esse cenário não é fruto do acaso, mas sim de décadas de acumulação de regras, procedimentos e controles&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/a-maquina-publica/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A máquina pública</span></a></p>
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<p class="wp-block-paragraph">A administração pública brasileira enfrenta um desafio sistêmico que compromete a qualidade dos serviços prestados ao cidadão: a combinação de servidores desmotivados, processos excessivamente burocráticos e uma estrutura organizacional que prioriza o formalismo em detrimento da eficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário não é fruto do acaso, mas sim de décadas de acumulação de regras, procedimentos e controles que, embora criados com a intenção de garantir impessoalidade e legalidade, acabaram por gerar um ambiente de trabalho desgastante e pouco produtivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um servidor público se sente desvalorizado, sem perspectivas de desenvolvimento ou reconhecimento, sua energia e criatividade são suprimidas, resultando em um atendimento lento e despersonalizado ao usuário. O cidadão, que deveria ser o principal beneficiário da máquina estatal, torna-se a vítima mais evidente desse ciclo vicioso, enfrentando filas intermináveis, exigências documentais redundantes e decisões que demoram anos para serem tomadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A burocracia excessiva, embora muitas vezes justificada como mecanismo de controle e transparência, na prática funciona como um entrave à agilidade e à inovação. Processos que poderiam ser simplificados ou automatizados exigem múltiplas assinaturas, pareceres e despachos, criando uma cultura de responsabilização difusa onde ninguém se sente verdadeiramente responsável pelo resultado final. Essa morosidade não apenas frustra o usuário, mas também desgasta o servidor, que se vê preso a rotinas repetitivas e sem significado aparente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a reforma administrativa surge como uma ferramenta indispensável para romper com esse paradigma, propondo modelos de gestão mais flexíveis, meritocráticos e orientados a resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate deve se concentrar na modernização de processos, na valorização do servidor e na simplificação de normas, sem perder de vista os princípios constitucionais da administração pública. A implementação de ferramentas de gestão por desempenho, a revisão de fluxos de trabalho e a adoção de tecnologias digitais podem acelerar significativamente os trâmites, reduzir custos e melhorar a experiência do cidadão. Paralelamente, a realização de concursos públicos bem planejados é fundamental para renovar os quadros e trazer novos perfis profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, a reforma administrativa não pode ser vista como uma solução mágica, mas como um processo contínuo de aperfeiçoamento. Ela deve ser capaz de equilibrar a necessidade de controle com a urgência de agilidade, respeitando a segurança jurídica e a estabilidade que são pilares do serviço público, mas também estimulando a inovação e a eficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente com investimento em capacitação, valorização profissional e revisão inteligente dos processos será possível construir uma máquina estatal mais célere, justa e humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho não é simples, mas é urgente e necessário para que o cidadão recupere a confiança nas instituições e nos serviços que financiam com seus impostos, afinal o usuário prejudicado por um sistema lento e desumano merece uma administração pública que funcione como um facilitador, e não como um obstáculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria</p>
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