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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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	<description>Site de consultoria do agro</description>
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	<title>NeoAgro Consultoria</title>
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		<title>Reputação e confiança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 15:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É profundamente triste constatar que, num mundo onde um simples brinquedo infantil carrega selos e mais selos de certificação, onde um móvel precisa comprovar até a origem da madeira e a resistência de cada parafuso, onde um automóvel tem cada pneu, cada bateria e cada componente auditados por terceiros, o pecuarista brasileiro ainda se encolha&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/reputacao-e-confianca/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Reputação e confiança</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É profundamente triste constatar que, num mundo onde um simples brinquedo infantil carrega selos e mais selos de certificação, onde um móvel precisa comprovar até a origem da madeira e a resistência de cada parafuso, onde um automóvel tem cada pneu, cada bateria e cada componente auditados por terceiros, o pecuarista brasileiro ainda se encolha diante da ideia de dizer de onde vêm seus animais e quais insumos utiliza.</p>
<p>A comparação não é retórica vazia, mas ela escancara um desequilíbrio que deveria envergonhar qualquer cadeia produtiva que se pretenda moderna. Se a indústria aceita, há décadas, o processo de certificação privada independente como condição para vender, por que a pecuária insiste em tratar a transparência como ameaça?</p>
<p>O momento é, absurdamente, o mais favorável em muito tempo. Os preços recebidos pelos animais atingiram patamares que os produtores não viam há anos, ou melhor, nunca viram. Há caixa, há margem, há fôlego para investir em rastreabilidade e controle de insumos.</p>
<p>E, no entanto, a falta de transparência persiste com a mesma teimosia dos anos 1920, como se o setor vivesse numa bolha alheia às exigências dos mercados consumidores, que já não aceitam comprar carne sem saber sua procedência. É inadmissível que, diante de uma janela de oportunidade tão clara, a resposta dominante continue sendo o silêncio defensivo e o receio de expor processos que, em sua imensa maioria, deveriam ser motivo de orgulho, não de esconderijo.</p>
<p>Mas o argumento de que a certificação por terceira parte é burocracia cara ou desnecessária não se sustenta, afinal ela é exatamente o que dá segurança e confiabilidade a qualquer sistema produtivo.</p>
<p>Sem auditoria independente, a palavra do produtor vale pouco no mercado internacional, e o comprador não tem como distinguir quem cumpre as regras de quem apenas diz cumprir. A ausência de transparência não protege ninguém, e pior, ela nivela todos por baixo, penaliza o pecuarista sério e entrega o setor à desconfiança generalizada.</p>
<p>Quem tem processos limpos deveria ser o primeiro a exigir a rastreabilidade individual e a certificação, porque são elas que separam o bom do ruim e valoriza o esforço de quem faz certo.</p>
<p>É de causar estranheza que a pecuária brasileira, com todo o seu peso econômico e toda a sua capacidade de exportação, ainda tropece num quesito básico que outros setores resolveram há gerações.</p>
<p>Não estamos mais no período onde a relação de troca era o melhor indicador da fazenda, e precisávamos abrir cada vez áreas para produzir. Hoje, produzimos mais quilos de carne por hectare ano, e isso se chama eficiência!</p>
<p>Dizer a origem dos animais e controlar os insumos utilizados não é favor ao consumidor nem concessão a ONGs, e sim um requisito mínimo de sobrevivência, já que o medo de dar transparência revela menos sobre exigências externas e mais sobre a fragilidade interna de quem prefere a penumbra à luz, e enquanto esse receio ditar o tom, o setor continuará desperdiçando o melhor momento de preços em décadas e colecionando atrasos que já deveriam ter sido superados há muito tempo.</p>
<p>Senhores, é hora de mostrar como e de onde veio, e separar de uma vez por todas o joio do trigo.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Nossa própria cegueira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 15:03:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A dependência do Brasil em relação à China como principal comprador de carne bovina é uma realidade que poucos ousam encarar de frente. Durante anos, ouvimos o discurso confortável de que os chineses nos forçaram a produzir animais mais jovens e mais pesados, resultando em mais quilos de carne por hectare por ano. Fomos, sim,&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/nossa-propria-cegueira/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Nossa própria cegueira</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A dependência do Brasil em relação à China como principal comprador de carne bovina é uma realidade que poucos ousam encarar de frente. Durante anos, ouvimos o discurso confortável de que os chineses nos forçaram a produzir animais mais jovens e mais pesados, resultando em mais quilos de carne por hectare por ano. Fomos, sim, empurrados a ser mais eficientes.</p>
<p>Mas a que custo? A verdade é que essa eficiência foi construída sob a égide de um gigante que, agora, começa a revelar suas próprias exigências ocultas. E o que quase ninguém sabe, ou finge não saber, é que o acordo comercial entre Brasil e China, assinado em 2015, já previa a rastreabilidade individual. Os chineses, no entanto, sempre fizeram vistas grossas a esse detalhe. Sempre.</p>
<p>E nós, claro, nunca cobramos, nunca nos preparamos, nunca levamos a sério.</p>
<p>Agora, em 2026, a Europa fez valer os avisos e tirou o Brasil da lista de autorizados a exportar carne bovina para lá. Foi um Deus nos acuda. Um escândalo. Um desespero nos frigoríficos, nos portos, nos escritórios de Brasília. A Europa, sempre nosso importador mais exigente, sempre pagando mais pelo produto brasileiro, mas exigindo muito mais, como a rastreabilidade individual, finalmente disse basta.</p>
<p>E nós, que nos acostumamos a vender para a China sem cumprir as mesmas regras, ficamos atônitos, como se a Europa fosse a vilã da história. Como se não tivéssemos sido avisados. Como se a rastreabilidade individual fosse um capricho europeu, e não uma cláusula assinada há mais de uma década com os próprios chineses.</p>
<p>Pois bem. A pergunta que ninguém quer fazer é a mais óbvia: e se a China também decidir fechar as portas? Já imaginou? O fim do mundo ou a era da picanha barata?</p>
<p>Agora, com a Europa fora do jogo, a dependência da China se torna ainda mais sufocante. E se os chineses resolverem, de uma hora para outra, exigir a rastreabilidade individual que sempre ignoraram? Estamos prontos? Claro que não. Nunca estivemos. Nunca nos preparamos para isso. Sempre achamos que o gigante asiático seria eternamente complacente, eternamente disposto a comprar sem perguntar demais.</p>
<p>A verdade é que fomos negligentes. A Europa nos deu décadas de aviso. A China nos deu um acordo que previa exatamente o que a Europa exigia. E nós? Fizemos ouvidos moucos. Preferimos a ilusão do lucro fácil, da carne vendida a granel, sem rastreio, sem transparência.</p>
<p>Agora, o castelo de cartas começa a ruir. E o pior, o nosso plano B, que aliás é muito bom, só irá realmente produzir efeitos práticos daqui a 2 anos. E se a China também nos deixar sem comprador, não será o fim do mundo. Será o fim de um modelo. A era da picanha barata? Talvez. Mas também a era da carne sem rastreabilidade, sem valor agregado, sem respeito às regras que nós mesmos assinamos.</p>
<p>A picanha barata pode até aparecer nas mesas brasileiras, mas será o preço de uma humilhação comercial sem precedentes. E ninguém, absolutamente ninguém, poderá dizer que não fomos avisados. A Europa avisou. O acordo com a China avisou. Nós é que preferimos não ouvir. Agora, resta saber se ainda há tempo para aprender. Ou se vamos continuar culpando os outros pela nossa própria cegueira.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Punindo o culpado</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/punindo-o-culpado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 15:09:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O uso indevido e irresponsável de defensivos veterinários representa um prejuízo significativo para o país, tanto no plano econômico quanto no reputacional. A aplicação de produtos acima dos limites descritos em bula, bem como o desrespeito ao prazo de carência indicado, compromete a segurança dos alimentos e gera consequências que extrapolam a porteira da fazenda.&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/punindo-o-culpado/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Punindo o culpado</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O uso indevido e irresponsável de defensivos veterinários representa um prejuízo significativo para o país, tanto no plano econômico quanto no reputacional. A aplicação de produtos acima dos limites descritos em bula, bem como o desrespeito ao prazo de carência indicado, compromete a segurança dos alimentos e gera consequências que extrapolam a porteira da fazenda.</p>
<p>No entanto, a resposta institucional a esse problema tem sido mal direcionada, e o principal agente punido acaba sendo o frigorífico que originou a carne, apesar de ele não ter culpa alguma no processo, afinal, quando um lote de carne é identificado com resíduos acima do permitido, a fiscalização recai sobre a indústria frigorífica, que sofre sanções, suspensões, tem lotes bloqueados e enfrenta danos à sua imagem. Essa distorção precisa ser corrigida com urgência.</p>
<p>Ocorre que a indústria frigorífica não tem como controlar o que acontece dentro das propriedades rurais, já que ela recebe o animal, abate e processa conforme as normas sanitárias.</p>
<p>Se o produtor aplicou um medicamento de forma irregular ou não respeitou o período de retirada, essa falha é anterior e alheia à indústria e punir o elo errado da cadeia não corrige a causa do problema e ainda cria um ambiente de insegurança jurídica para um setor que emprega milhões e responde por parcela relevante das exportações brasileiras. E estamos falando de uma minoria!</p>
<p>É preciso punir quem deu causa! Quem usou o produto acima dos limites descritos em bula e, pior, não cumpriu com o prazo de carência indicado deve responder diretamente pelo dano.</p>
<p>A impunidade das fazendas que desrespeitam a regra é o que perpetua o ciclo de irregularidades, afinal, enquanto o produtor não sentir o peso da fiscalização e da sanção, a conduta inadequada tende a se repetir, e o Brasil continuará passando por constrangimentos totalmente evitáveis e desnecessários, como embargos comerciais, recall de produtos e perda de confiança de mercados internacionais.</p>
<p>Uma medida eficaz e de aplicação relativamente simples seria o bloqueio temporário da emissão e do recebimento de GTA (Guia de Trânsito Animal) para as fazendas flagradas em irregularidades.</p>
<p>A GTA é documento essencial para movimentar animais e sem ela a propriedade fica impedida de comercializar, transportar ou abater. O bloqueio funciona como sanção administrativa imediata, proporcional e dissuasória, sem paralisar toda a cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, preserva quem não deu causa ao problema, e direciona a responsabilidade a quem efetivamente descumpriu as normas.</p>
<p>Além disso, é necessário implantar o controle de receituário para defensivos veterinários, assim como já ocorre com os medicamentos de uso humano, onde a prescrição por profissional habilitado, com registro obrigatório e rastreabilidade, permitiria identificar rapidamente quem prescreveu, quem vendeu e quem aplicou. Esse controle cria barreiras concretas ao uso indiscriminado, facilita a fiscalização e gera dados para políticas públicas mais eficientes.</p>
<p>A experiência da medicina humana mostra que o receituário não é burocracia inútil: é instrumento de proteção à saúde e de responsabilização.</p>
<p>O Brasil tem um agronegócio competitivo e uma pecuária de alta qualidade, mas a reputação conquistada é frágil diante de casos de resíduos irregulares e cada escândalo sanitário custa caro, fecha mercados e desvaloriza o produto nacional. A solução não passa por punir o elo errado, mas por responsabilizar quem deu causa, com sanções claras, proporcionais e aplicáveis. Enquanto isso não ocorrer, o país seguirá pagando por erros que poderiam ser evitados com fiscalização inteligente e punição correta.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Diferentes são diferentes, é óbvio.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 12:26:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A regulamentação da Lei nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024, configura oportunidade singular para que o Brasil estruture um sistema regulatório compatível com uma de suas maiores vantagens comparativas: a biodiversidade aliada à capacidade científica e produtiva de transformar recursos biológicos em soluções para a agropecuária. A opção legislativa foi deliberadamente abrangente, alcançando&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/diferentes-sao-diferentes-e-obvio/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Diferentes são diferentes, é óbvio.</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A regulamentação da Lei nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024, configura oportunidade singular para que o Brasil estruture um sistema regulatório compatível com uma de suas maiores vantagens comparativas: a biodiversidade aliada à capacidade científica e produtiva de transformar recursos biológicos em soluções para a agropecuária.</p>
<p>A opção legislativa foi deliberadamente abrangente, alcançando os sistemas convencional, orgânico e de base agroecológica, além de contemplar bioestimulantes, agentes biológicos de controle, condicionadores de solo, biofertilizantes, inoculantes e outras categorias. Mais relevante ainda, a lei conceitua bioinsumo não apenas como produto, mas como produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, e é sob essa perspectiva que merece análise crítica a Nota Técnica intitulada “Contribuições técnico-científicas da Embrapa sobre a regulamentação de bioinsumos microbiológicos no âmbito da Lei nº 15.070/2024”.</p>
<p>A Empresa sustenta que cepas distintas de uma mesma espécie podem apresentar características funcionais, agronômicas e perfis de risco diferentes e, a partir dessa constatação cientificamente válida, conclui pela conveniência de um sistema regulatório baseado na caracterização individualizada das cepas. A dificuldade não reside na premissa microbiológica, afinal cepas diferentes são, evidentemente, diferentes. A questão é outra: toda diferença biológica intraespecífica deve necessariamente converter-se em nova categoria jurídica de risco, em nova autorização administrativa ou em nova barreira de acesso ao recurso biológico?</p>
<p>Essa passagem entre diversidade biológica e consequência regulatória não é automática. Como é sabido pela ciência, reconhecer variabilidade genética, metabólica, funcional ou fenotípica entre cepas não significa demonstrar que cada variação corresponda a alteração juridicamente relevante do perfil de perigo ou risco do organismo. A Nota Técnica da Embrapa, entretanto, avança para questão ainda mais sensível.</p>
<p>Propõe que a regulamentação incorpore a categoria “Cepa Autorizada”, abrangendo inclusive microrganismos de ação fitossanitária, e recomenda que tanto a multiplicação on-farm quanto a produção comercial utilizem apenas cepas autorizadas. É justamente aqui que o debate deixa de ser exclusivamente microbiológico e passa a envolver legalidade, proporcionalidade regulatória, acesso à biodiversidade, inovação, concorrência, autonomia tecnológica e até o modelo econômico que se pretende construir para os bioinsumos brasileiros.</p>
<p>A criação de uma categoria jurídica nova, com exigência de autorização individualizada por cepa, pode produzir efeitos paradoxais. Em vez de conferir segurança jurídica e sanitária, tende a multiplicar custos de registro, alongar prazos de análise e concentrar o mercado em poucos agentes capazes de suportar a carga regulatória. O resultado prático seria o oposto do que a Lei nº 15.070/2024 parece buscar: um ambiente favorável à inovação, à diversidade de soluções e ao aproveitamento sustentável do patrimônio genético nacional.</p>
<p>O ponto central não é negar a importância da avaliação de risco, mas calibrar sua granularidade, onde a regulação deve ser proporcional ao risco efetivamente demonstrado, e não à mera possibilidade teórica de diferença, caso contrário, a biodiversidade brasileira, tantas vezes celebrada como ativo estratégico, irá se tornar um grande passivo regulatório.</p>
<p>A regulamentação da Lei nº 15.070/2024 exige, portanto, decisão política informada pela ciência, mas não subordinada a ela de forma acrítica. O desafio é construir um marco que reconheça a variabilidade biológica sem transformá-la em barreira jurídica intransponível, preservando a competitividade e a autonomia tecnológica do país.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Inês é morta!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 15:15:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de continuar produzindo com excelência e, ao mesmo tempo, atender às exigências do mercado europeu. Mas Inês é morta! E agora,&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/ines-e-morta/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Inês é morta!</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de continuar produzindo com excelência e, ao mesmo tempo, atender às exigências do mercado europeu. Mas Inês é morta!</p>
<p>E agora, em vez de lamentarmos o óbvio, precisamos nos concentrar em como voltar a acessar o mercado que melhor remunera nossos cortes e que, mais do que isso, manda um recado forte ao mundo de que a carne do Brasil tem qualidade, volume e capacidade de atender a qualquer comprador, e não há tempo para choro ou para discursos vazios sobre injustiças comerciais.</p>
<p>Há tempo para ação concreta, e olhando para o futuro, é preciso reconhecer que hoje temos uma ferramenta aprovada tanto pela autoridade sanitária nacional quanto pelo comissário europeu: o protocolo de garantia de não uso de antimicrobianos, elaborado pela ABCAR, CNA e ABIEC. Pois então, que se faça uso dela! Ao invés de gastar energia negando o fato de estarmos fora do mercado europeu — como se negar a realidade fosse mudá-la — temos que fomentar o uso desse protocolo, que é voluntário e, portanto, participa aquele que enxerga valor nele.</p>
<p>É o momento de olhar com seriedade para as novas tecnologias que garantem a eficiência da terminação dos animais! O Brasil não pode mais se pautar apenas pelo seu volume de produção como se fosse um trunfo eterno.</p>
<p>Já passou da hora de implantarmos as ferramentas disponíveis para produzir volume e qualidade atendendo a qualquer requisito do importador. Chega de tratarmos a rastreabilidade, o bem-estar animal e a sustentabilidade como meros enfeites de marketing! Esses itens são pré-requisitos inegociáveis em qualquer mercado que se preze, e quem não enxergar isso está fadado a ficar para trás, assistindo outros países ocuparem o espaço que deveria ser nosso.</p>
<p>É uma verdadeira afronta à inteligência do setor que tenhamos deixado essa situação chegar a esse ponto, até porque, tivemos anos de aviso, anos de discussão, anos de oportunidades para nos anteciparmos e nos adequarmos proativamente. Em vez disso, preferimos a postura defensiva, o discurso de que as exigências europeias seriam barreiras comerciais disfarçadas, quando na verdade poderiam ter sido encaradas como um incentivo para modernizarmos nossa produção.</p>
<p>Agora, colhemos o resultado dessa inércia: portas fechadas, reputação arranhada e um prejuízo que poderia ter sido evitado. A Argentina e o Uruguai agradecem.</p>
<p>Portanto, a mensagem precisa ser clara e incisiva: o tempo de espernear passou. O foco agora deve ser em ação coordenada, em adesão maciça ao protocolo, em investimento em tecnologia de ponta e em uma mudança cultural dentro das fazendas, frigoríficos e fábricas de insumos.</p>
<p>Precisamos provar, com números e práticas concretas, que somos capazes de produzir em escala sem abrir mão da excelência produtiva, sanitária e ambiental. Não podemos nos dar ao luxo de esperar mais um ciclo de alertas para então agir. A exigência do mercado europeu não é um capricho; é um espelho do que o consumidor global cada vez mais demanda, e quem não se mirar nele ficará obsoleto.</p>
<p>Chega de discursos vazios e de esperar que o problema se resolva sozinho.</p>
<p>O Brasil precisa acordar, unir forças e mostrar que a nossa carne é, sim, digna dos melhores mercados do mundo, mas isso só acontecerá se deixarmos de lado a complacência e abraçarmos, de vez, a modernidade e a transparência que o momento exige. Inês está morta, mas o futuro pode ser escrito com novas letras, desde que tenhamos liderança, coragem e competência para fazê-lo agora.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Um sopro de esperança</title>
		<link>https://neoagroconsultoria.com.br/um-sopro-de-esperanca/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 15:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção que se quer cada vez mais sustentável. Por isso, a disputa em torno de quem deve conduzir o registro desses&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/um-sopro-de-esperanca/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Um sopro de esperança</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção que se quer cada vez mais sustentável. Por isso, a disputa em torno de quem deve conduzir o registro desses produtos não é uma simples questão administrativa; é uma decisão que ecoa na vida de quem planta e de quem consome, e é compreensível que esse momento gere tanta apreensão e, ao mesmo tempo, uma expectativa genuína por definições mais justas.</p>
<p>Há um desgaste natural quando se percebe que órgãos que deveriam atuar de forma técnica e complementar passam a disputar protagonismo, movidos por vontades que nem sempre são claras, onde a sensação de que interesses alheios ao conhecimento científico tentam se sobrepor é frustrante, especialmente para quem depende de previsibilidade para investir e produzir. O agricultor, seja ele pequeno ou grande, sente na pele quando a burocracia se torna um labirinto sem saída, e a indústria de insumos, por sua vez, vê seus esforços travados por disputas que pouco têm a ver com a segurança ou a eficácia do que se pretende registrar.</p>
<p>Nesse cenário, é natural que a postura da ANVISA e do IBAMA desperte questionamentos, afinal não se trata de questionar a importância de cada um em suas respectivas áreas, mas de reconhecer que, quando a legislação define um rito, é preciso que ele seja respeitado para que o sistema funcione. A sobreposição de competências, impulsionada por ideologias ou por pressões veladas, acaba por gerar um ambiente de insegurança jurídica que ninguém merece enfrentar. E para piorar, quando a EMBRAPA, uma instituição historicamente dedicada à pesquisa e ao avanço do agro, parece alinhar-se a interesses corporativos, o desapontamento é ainda maior, pois se espera dela uma postura de equilíbrio e compromisso com a ciência em primeiro lugar.</p>
<p>Diante desse emaranhado, a atitude da Secretaria Executiva da Casa Civil de ouvir as entidades do setor representa, de fato, um sopro de esperança.</p>
<p>É reconfortante perceber que há espaços onde a voz de quem vive o dia a dia do campo, das associações de pequenos produtores às grandes indústrias, passando pela comunidade produtora de alimentos orgânicos, finalmente encontra eco. Esse movimento de escuta ativa demonstra que a complexidade do tema não pode ser resolvida de cima para baixo, sem considerar as realidades diversas que compõem o agro brasileiro.</p>
<p>O que se espera agora é que essa abertura se traduza em decisões pautadas pela técnica, pela transparência e pelo interesse coletivo. Que a ciência, com seus dados e evidências, seja a bússola para definir os rumos do registro de bioinsumos, afastando-se de qualquer viés comercial ou pessoal.</p>
<p>É preciso que haja um equilíbrio entre a necessária regulação e a agilidade que o setor demanda, garantindo que produtos seguros e eficazes cheguem ao mercado sem atropelos, mas também sem obstáculos artificiais, e há, sim, um caminho possível para que todos saiam ganhando, desde que haja vontade política e honestidade intelectual para trilhá-lo, onde a participação de todos os envolvidos, em um diálogo franco e aberto, é o alicerce para que as decisões reflitam a realidade do campo e as necessidades da sociedade.</p>
<p>Que essa nova postura não seja apenas um momento isolado, mas o início de um processo mais colaborativo e menos conflituoso. Afinal, o que está em jogo é a construção de um futuro onde a produção de alimentos e a preservação ambiental caminhem juntas, com o respaldo de um marco regulatório que faça sentido na prática, e não apenas no papel.</p>
<p>É essa a esperança que se renova, e que merece ser cultivada com cuidado, atenção e vigilância.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Um crime contra a ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Aug 2026 15:10:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do planeta, vemos uma verdadeira guerra de poder instalada nos bastidores de Brasília, onde o interesse comercial e a ideologia rasteira&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/um-crime-contra-a-ciencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Um crime contra a ciência</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do planeta, vemos uma verdadeira guerra de poder instalada nos bastidores de Brasília, onde o interesse comercial e a ideologia rasteira estão atropelando a ciência de forma descarada, e não é exagero afirmar que estamos diante de um retrocesso histórico, um tapa na cara de todos os pesquisadores, cientistas e produtores.</p>
<p>O que se desenha no texto do decreto é um cenário desolador, no qual órgãos que deveriam atuar como parceiros da inovação, como Anvisa, Ibama e até a respeitada Embrapa, parecem ter se transformado em verdadeiros advogados do atraso. Em vez de facilitar o acesso às tecnologias biológicas, esses entes estão erguendo barreiras praticamente intransponíveis, especialmente contra a produção realizada dentro da própria propriedade rural sob a mesma justificativa de sempre: a necessidade de “segurança” e “controle”.</p>
<p>Mas é impossível não enxergar a hipocrisia por trás desse discurso! O que se esconde por trás dessa pretensa preocupação é a pressão de grandes corporações que veem na pequena indústria e na produção <em>on farm</em> uma ameaça ao seu monopólio.</p>
<p>E o que dizer da obrigatoriedade quase intransponível de que todo produto passe pela análise tripla de Anvisa, Ibama e Mapa? Não se trata de negar a importância da fiscalização, mas sim de denunciar a burocracia como ferramenta de exclusão, já que cada um desses órgãos possui seus próprios prazos, exigências e custos. Submeter um bioinsumo, muitas vezes produzido com microrganismos nativos daquela região, a esse trâmite moroso e caro é, na prática, inviabilizar qualquer tentativa de inovação.</p>
<p>Esse desenho regulatório não é novidade: ele já é conhecido no setor de agrotóxicos, cuja excessiva burocratização tem contribuído para retardar a chegada de novas tecnologias ao produtor brasileiro. Na prática, exigências complexas, custos elevados e prazos imprevisíveis favorecem as grandes empresas, que dispõem de estrutura financeira e jurídica para atravessar esse labirinto, enquanto pequenas e médias organizações inovadoras são empurradas para fora do mercado.</p>
<p>Mais grave ainda é a percepção de que determinados ativos só entram em processo de reavaliação quando já existe um produto substituto pronto para ocupar seu espaço — uma lógica que alimenta suspeitas de captura regulatória e representa um verdadeiro escárnio para o produtor rural, que acaba pagando mais caro e tendo acesso tardio a soluções que poderiam aumentar a eficiência e a sustentabilidade de sua produção.</p>
<p>É revoltante perceber que o conhecimento acumulado pela pesquisa brasileira, um dos mais avançados do mundo na área de biocontrole e biofertilizantes, está sendo simplesmente descartado em nome de uma suposta “segurança” que atende a interesses escusos. A Embrapa, que sempre foi símbolo de vanguarda, ao se posicionar contra a inovação, parece ter esquecido seu próprio propósito, alinhando-se a uma lógica retrógrada que sufoca o desenvolvimento.</p>
<p>Não podemos aceitar que a ideologia do medo e do controle prevaleça sobre a comprovação empírica. Não podemos permitir que o lobby de grandes grupos econômicos transforme a regulamentação em um instrumento de perpetuação de poder e de exclusão. Precisamos reagir com firmeza a esse atentado contra o futuro do agro.</p>
<p>A ciência está aí, oferecendo soluções concretas para uma agricultura mais rentável, competitiva e sustentável, e é um verdadeiro crime contra a nação ignorá-la. Que essa indignação se transforme em cobrança pública e que os responsáveis por esse retrocesso sintam o peso da história, pois estão do lado errado da luta, do lado do atraso, contra o progresso e contra o povo brasileiro.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Sempre na dor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 13:04:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É de enlouquecer qualquer um que acompanhe de perto o dia a dia do campo brasileiro, onde a cada safra, a cada ciclo é a mesma ladainha: o produtor rural é colocado contra a parede, tendo que recorrer a soluções caras e muitas vezes já quase ineficientes para lidar com pragas e doenças. E a&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/sempre-na-dor/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Sempre na dor</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É de enlouquecer qualquer um que acompanhe de perto o dia a dia do campo brasileiro, onde a cada safra, a cada ciclo é a mesma ladainha: o produtor rural é colocado contra a parede, tendo que recorrer a soluções caras e muitas vezes já quase ineficientes para lidar com pragas e doenças. E a pergunta que não quer calar ecoa como um grito abafado pela burocracia: por que tem que ser sempre na dor? Por que o acesso ao que há de mais inovador, inteligente e sustentável para a agricultura precisa ser tratado como um tabu, uma disputa de poder ou, pior, um campo de batalha ideológica?</p>
<p>Estou falando, claro, dos bioinsumos. Não há exagero em afirmar que essa é a maior revolução silenciosa à disposição do setor produtivo brasileiro, uma ferramenta que poderia beneficiar igualmente o pequeno agricultor familiar e o grande produtor, já que substituem os defensivos químicos, recuperam a saúde do solo, promovem o equilíbrio ecológico dentro da lavoura e de quebra ainda reduzem custos no longo prazo. Mas o que se vê na prática é uma luta inglória para que essa tecnologia saia do papel e chegue, de fato, ao campo.</p>
<p>O problema é que, no Brasil, a inovação esbarra em um muro de interesses institucionais, comerciais e políticos que parece intransponível. Enquanto o Ministério da Agricultura tenta, com dificuldade, avançar em marcos regulatórios que viabilizem a produção e o uso de bioinsumos, o Ministério do Meio Ambiente e o da Saúde entram com o pé atrás, com uma visão por vezes ideológica que engessa qualquer movimento. Parece que a prioridade não é resolver o problema do produtor rural, mas garantir que cada pasta mantenha sua fatia de influência e controle.</p>
<p>Os interesses comerciais são ferozes, afinal a indústria química, gigante e consolidada, não vai abrir mão de seu mercado sem luta. E, convenhamos, ela tem força de lobby que faz qualquer política pública parecer frágil. O que se vê é uma tentativa de desqualificar os bioinsumos, de jogar dúvidas sobre sua eficácia, de criar barreiras regulatórias que só favorecem quem já está estabelecido. É um verdadeiro desserviço ao país, que poderia estar na vanguarda de uma agricultura regenerativa, de baixo carbono e mais resiliente.</p>
<p>Mas o mais revoltante é que o discurso ideológico contamina tudo.</p>
<p>De um lado, os que defendem a química a qualquer custo, como se fosse a única saída para alimentar o mundo, ignorando os passivos ambientais e de saúde pública. Do outro, os que demonizam qualquer insumo, como se a agricultura pudesse voltar a ser como era há cem anos, sem considerar a escala e a complexidade da produção atual. E, no meio, está o agricultor, que não quer ser herói de nenhuma cartilha, mas apenas ter acesso a ferramentas que funcionem, que sejam viáveis economicamente e que não destruam o solo que ele vai deixar para os filhos.</p>
<p>Não se trata de abolir a química, mas de oferecer alternativas. Trata-se de permitir que o produtor tenha autonomia para escolher o melhor caminho. E, nesse sentido, os bioinsumos são uma ferramenta democrática, que pode ser produzida na própria fazenda, que reduz a dependência externa e que coloca o Brasil em uma posição de liderança global no debate sobre sustentabilidade. Mas, enquanto o jogo de poder continuar, enquanto a briga for sobre quem manda e não sobre o que é melhor, a resposta para a pergunta: por que tem que ser sempre na dor?</p>
<p>Chegou a hora de agir pela inteligência, pela visão de futuro e pela responsabilidade. Se continuarmos nessa toada de atrapalhar para não avançar, o preço a pagar será muito mais alto do que qualquer um de nós pode imaginar, e perdermos uma janela irrecuperável de tempo, esforço, pesquisa e dinheiro.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>A bússola da ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 14:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Luciano Vacari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/a-bussola-da-ciencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A bússola da ciência</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ambiente regulatório brasileiro enfrenta um paradoxo que ameaça setores estratégicos da economia, onde a tensão entre a necessidade de regras técnicas previsíveis e a influência de ideologias e interesses comerciais que distorcem o processo normativo, e quando a ideologia, seja ela política, ambiental ou econômica, se sobrepõe à ciência e à objetividade, o resultado é um caos regulatório cujos danos podem ser irreversíveis.</p>
<p>Um exemplo emblemático desse fenômeno é a regulamentação dos bioinsumos, um campo de inovação constante que já movimenta bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento, mas que permanece travado por disputas ideológicas e pressões de mercado, sim de mercado.</p>
<p>A premissa fundamental de qualquer arcabouço regulatório que se pretenda eficiente é a isenção, afinal as normas devem ser elaboradas com base em dados técnicos, experimentação científica e análise de riscos; não em convicções pessoais ou visões de mundo particulares. A previsibilidade, por sua vez, é o que permite que empresas e investidores planejem suas atividades com segurança, alocando recursos em inovação e produção.</p>
<p>No caso dos bioinsumos, produtos biológicos utilizados na agricultura para controle de pragas e melhoria da produtividade, o potencial é imenso. Trata-se de uma tecnologia que reduz o uso de defensivos químicos, promove a sustentabilidade e gera valor agregado. Contudo, sua regulamentação, que deveria ser um processo técnico e harmonioso para definir critérios de eficácia, segurança e registro, tornou-se um verdadeiro campo de batalha.</p>
<p>O entrave não é técnico, mas sim ideológico e comercial. De um lado, há grupos que defendem uma regulação excessivamente restritiva, baseada em uma visão reativa que desconsidera o acúmulo de evidências científicas. De outro, interesses comerciais de setores estabelecidos, que veem nos bioinsumos uma ameaça a seus mercados e lucros, atuam para retardar ou inviabilizar a aprovação de normas claras, seguras e eficazes.</p>
<p>O resultado é um impasse que condena o Brasil a perder a dianteira em uma área de vanguarda, enquanto outros países avançam com regras objetivas e empresas que investiram bilhões em pesquisa se veem reféns de uma burocracia que não responde a critérios racionais, mas a pressões políticas e corporativas. Esse cenário gera insegurança jurídica, desestimula novos investimentos e compromete a competitividade do agronegócio brasileiro.</p>
<p>A ciência deve ser a bússola de qualquer regulamentação.</p>
<p>Não se trata de negar a importância de debates legítimos sobre impactos ambientais ou sociais, mas de garantir que esses debates sejam informados por dados robustos e não por dogmas. A inovação, por definição, desafia o <em>status quo</em> e exige que as regras evoluam em paralelo. Quando a ideologia trava esse processo, o preço é pago por toda a sociedade: perde-se em produtividade, em sustentabilidade e em competitividade.</p>
<p>Portanto, a saída para o impasse regulatório dos bioinsumos e de outros setores inovadores é o retorno ao que deveria ser o normal, ou seja, regras baseadas em evidências, previsibilidade nos prazos de aprovação e respeito ao devido processo legal. É preciso que os órgãos reguladores atuem com autonomia técnica, blindados contra interferências ideológicas, pressões comerciais e pessoas mal intencionadas.</p>
<p>O Brasil precisa de um pacto pela racionalidade regulatória, onde o mérito científico prevaleça sobre convicções pessoais e onde o interesse público não seja sequestrado por interesses privados; caso contrário, o caos instalado não será apenas um obstáculo temporário, mas uma ferida que inviabilizará o futuro da inovação nacional.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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		<title>Sal branco e capim colonião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Vacari]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 14:50:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são&#8230;&#160;<a href="https://neoagroconsultoria.com.br/sal-branco-e-capim-coloniao/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Sal branco e capim colonião</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são fruto de décadas de pesquisa, inovação e trabalho sério de milhares de cientistas, médicos veterinários, zootecnistas e produtores rurais.</p>
<p>A pecuária praticada hoje não tem nada a ver com o passado remoto; é uma atividade moderna, pautada em dados, em genética aprimorada, em manejo racional, na suplementação mineral e em sistemas integrados que respeitam o meio ambiente e o bem-estar animal, onde cada técnica adotada passou por rigorosos testes de segurança e eficiência, sempre dentro dos limites que a ciência e a lei estabelecem.</p>
<p>Portanto, quando alguém sugere que o Brasil deve simplesmente abandonar essas ferramentas, está propondo um retrocesso brutal, uma verdadeira volta à Idade da Pedra, onde o sal branco e o capim colonião reinavam nas paragens do sertão, fazendo a produtividade despencar e a pressão sobre os recursos naturais voltar à casa dos anos 80.</p>
<p>É inaceitável que um país que construiu um dos maiores e mais eficientes rebanhos do mundo justamente por abraçar a tecnologia, seja agora pressionado a abrir mão dela por capricho ideológico ou por falta de informação.</p>
<p>A inovação não é inimiga da saúde e do bem estar do consumidor, pelo contrário, é a maior aliada para produzir mais quilos por hectare ano, para reduzir emissões, para preservar o solo e a água, e para garantir que a carne, o leite e o couro que chegam à mesa do consumidor tenham a mais alta qualidade, e isso só é possível porque muito se investiu em ciência.</p>
<p>Banir tecnologias consolidadas e seguras, sem qualquer evidência que justifique o risco, é um atentado contra o progresso e contra a soberania do setor produtivo nacional e vai contra tudo o que acreditamos. É preciso sim, dar as garantias necessárias aos mercados consumidores do mundo de que o produto brasileiro é seguro, confiável e de qualidade. É preciso criar alternativas para que o setor produtivo do Brasil continue acessando os mercados internacionais, e isso se faz com técnica, com rastreabilidade, com ciência e com comprometimento, demonstrando que tanto o setor regulado, quanto o setor público é capaz de segregar o uso da tecnologia.</p>
<p>Porém, o retrocesso parece iminente, e a medida tomada pela caneta da política vai varrer a discussão técnica e colocar o Brasil no rol dos países que preferem proibir o uso da tecnologia a construir caminhos de longo prazo que garantam a perenidade da atividade.</p>
<p>A pecuária brasileira precisa de respeito pelo trabalho honesto, pela técnica apurada e pela capacidade que o Brasil tem de alimentar o mundo de forma segura. Não se pode aceitar que a ignorância dite as regras de um setor que é sinônimo de excelência e inovação.</p>
<p>A pressão política de 2 ou 3 que se acham acima de tudo e de todos não pode prosperar.</p>
<p>Mais do que nunca, é fundamental a união de todos ao redor de uma mesma mesa, com diálogo, com dados, com pesquisa e com a força da lei, para que o futuro da pecuária continue sendo escrito com base na ciência, e não no medo ou na desinformação.</p>
<p>*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.</p>
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