É hora de agir!

por Luciano Vacari

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A recente série de bombardeios às exportações de carne bovina brasileira expõe uma crise que vai além de questões sanitárias pontuais. Nos últimos dias, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países aptos a exportar, seguida pela suspensão de mais três unidades frigoríficas para a China. Este cenário não é fruto do acaso, mas sim o resultado de um acúmulo de fragilidades estruturais que o país insiste em não corrigir. Mas a pergunta, embora que proibida, é direta: estamos dando motivos para retaliações?

Porém, para compreender o que está acontecendo, é preciso analisar o contexto das exigências internacionais, onde tanto a União Europeia quanto a China têm elevado seus padrões de controle de qualidade, sanitário e socioambiental, e a carne brasileira, que já enfrentava desconfianças por desmatamento ilegal, agora vê sua credibilidade arranhada diante de falhas sistemáticas de fiscalização.

Mas as sanções não são atos arbitrários, e sim decorrentes de não conformidades detectadas em auditorias, como a presença de substâncias além do permitido, falhas na identificação de origem animal e lacunas nos sistemas de controle, e quando um país fecha suas portas, não está apenas punindo, mas protegendo seus consumidores e sua própria reputação sanitária.

No entanto, a narrativa de que o Brasil é vítima de retaliações comerciais disfarçadas de barreiras sanitárias precisa ser revista com honestidade.

No caso da União Europeia por exemplo, a o Brasil foi avisado em 2023 e embora existam sim interesses geopolíticos e protecionismo disfarçados, o Brasil tem oferecido munição para críticas. Por que o Argentina, o Uruguai e o Paraguai não sofreram as mesmas restrições? Talvez a resposta esteja na falta de ações efetivas e de transparência.

Por exemplo, no final de 2024 o Brasil aprovou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, o PNIB, que até hoje não foi implementado por que simplesmente não existe um sistema capaz de fazer a interligação dos dados estaduais com a base federal, e infelizmente esse tem sido o calcanhar de Aquiles da pecuária nacional, afinal sem um sistema robusto de rastreabilidade individual não há como provar, com precisão, que um lote de carne não está vinculado a áreas desmatadas ilegalmente a falhas sanitárias.

A rastreabilidade individual não é uma utopia, mas uma tecnologia já disponível e utilizada por todos os nossos grandes concorrentes, e se implementada em larga escala no Brasil, ela transformaria a pecuária em um setor de transparência total. Mais do que isso, daria ao Brasil um argumento irrefutável contra acusações infundadas.

Se a rastreabilidade individual brasileira funcionasse, o cenário atual seria radicalmente diferente e o Brasil não teria que se defender de suspeitas genéricas e simplesmente poderia apresentar dados concretos de cada lote exportado. As auditorias internacionais deixariam de ser um jogo de adivinhação e se tornariam verificações de sistemas confiáveis. A União Europeia e a China, em vez de suspenderem unidades, estariam negociando acordos de equivalência sanitária baseados em evidências.

O Brasil precisa decidir se continuará reagindo a embargos com promessas de melhoria ou se adotará, de uma vez por todas, a rastreabilidade individual como pilar estratégico, já que o momento exige ação concreta, não retórica.

É hora de agir, e não reagir!

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria

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