Comida na mesa e renda no bolso

por Luciano Vacari

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Existe um termo que tem permeado as pautas políticas, econômicas e ambientais em todo o mundo: segurança alimentar. Essas duas palavras têm sido base de muitas pesquisas para o desenvolvimento de políticas públicas que atendam a crescente demanda mundial por alimentos. O desafio vai além da disponibilidade do alimento, está na acessibilidade.

O Brasil é um dos líderes mundiais na produção de alimentos, sejam grãos, cereais ou carnes, e tem um grande potencial produtivo se forem consideradas as áreas de pastagem que podem ceder espaço para a agricultura. Ao mesmo tempo, a produção pecuária vem adotando tecnologias que garantem o aumento de produtividade sem a necessidade de mais recursos naturais.

Ainda, a estimativa para a próxima safra, de acordo com a Conab, é que a produção de alimentos cresça entre as principais culturas brasileiras, arroz, feijão, soja e milho. Vale destacar que soja e milho são transformados em insumos para produção de proteínas, portanto de extrema importância dentro da cadeia produtiva. A expectativa de crescimento é vista com bons olhos em todo o mundo.

Mesmo assim, a inflação tem pressionado os preços dos alimentos dentro do país, ainda que menos do que em 2020. De acordo com o Cepea, se no ano passado o dólar foi o principal fator que contribuiu para a alta no preço dos alimentos, em 2021 questões climáticas e a própria expectativa sobre a inflação estimulam a elevação de preços.

Por isso, o planejamento agrícola é essencial. Não se trata apenas de garantir condições para os produtores rurais, mas de disponibilizar comida para a população. Nesta semana, durante reunião dos ministros da agricultura do G20, a ministra Tereza Cristina destacou exatamente a importância de investimentos em ciência para o desenvolvimento de técnicas cada vez mais sustentáveis e também de políticas menos protecionistas por parte dos países desenvolvidos.

Ao falar sobre isso, a representante brasileira reforça justamente a importância de tratar a segurança alimentar como pauta comum a todos e que exige políticas públicas globais. Claro que os trabalhos devem começar na esfera nacional, com estratégias para aumentar a produtividade, reduzir perdas e estimular a estrutura para o armazenamento.

Mas a responsabilidade é de todos. É preciso fomentar o desenvolvimento sustentável da agropecuária em todas as regiões do mundo, viabilizar a produção de alimentos para colocar comida na mesa e renda no bolso. A agricultura é essencial e não adianta ter o alimento se não tiver condições para comprá-lo.

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