O peso da caneta

por Luciano Vacari

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Por Luciano Vacari

O Estado tem o poder da decisão e é por isso que os cargos executivos são tão disputados, afinal, ali está a última palavra. Justamente por isso também é preciso ter responsabilidade para arcar com as consequências de cada ação, sejam elas positivas ou negativas.

Recentemente, o presidente da Argentina Alberto Fernandez decidiu, com sua caneta, suspender as exportações de carne bovina para conter a inflação interna do produto, ele optou pelo caminho mais rápido e aparentemente fácil. Sem consultar os setores produtivo e, com certeza, sem consultar os especialistas em economia, o presidente represou a produção no mercado interno, aumentando assim a oferta na esperança de baixar os preços.

O efeito da medida pode até resultar numa redução de preços, mas a que custo? Suspender as exportações provoca impactos imediatos também na receita do país, no faturamento das empresas, na renda do produtor rural e, consequentemente, na economia como um todo. Isso sem falar que a relação comercial fica abalada devido à insegurança. Os parceiros consequentemente vão procurar outros fornecedores que, além do produto, também ofereçam estabilidade e previsibilidade.

A história não me deixa mentir, esta não é primeira vez que a Argentina interfere diretamente no mercado de carnes. Em 2014, ainda no governo de Cristina Kirchner, que atualmente é a vice-presidente, as exportações foram proibidas também como forma de reduzir os preços.

Outro fato que prejudicou o comércio internacional de carne dos hermanos foi a implantação de sistemas de regulação do mercado que trouxeram mais burocracia e facilitaram a interferência da caneta presidencial no setor.

Além das consequências imediatas citadas acima, nos últimos dez anos o país caiu da segunda para a 12ª posição entre os maiores exportadores mundiais. Foi um desastre.

A alternativa mais correta para resolver o problema que tem afastado os argentinos de seus tão apreciados bifes anchos, passa pela redução de impostos e enxugamento da máquina pública. Mas além de ser um caminho mais longo e difícil, também é mais impopular.

Um líder precisa ser admirado pelos seus gestos, pelo senso de justiça e pela habilidade em agregar. E não pelo peso de sua caneta.

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