Um plano para além das metas

por Luciano Vacari

por Luciano Vacari

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin

*Por Luciano Vacari


A estruturação de uma cadeia nacional de produção de fertilizantes, baseada em inovação e tecnologia de ponta a ponta, pode gerar milhares de empregos e efeitos multiplicadores na economia, como renda, impostos e outros. Mas, os benefícios para a sociedade vão muito além. Reduzir a adubação nitrogenada é chave, por exemplo para garantir as metas de redução de gases de efeito estufa (GEE).

Para atingir tais metas, de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, investir em novas tecnologias que promovam desenvolvimento econômico e social e ainda melhorar a nossa já grandiosa produção agropecuária, está em andamento no Brasil um grupo interministerial para propor um Plano Nacional de Fertilizantes.

A pauta, que foi determinada por meio do Decreto 10.605/2021, busca fortalecer políticas de incremento da competitividade da produção e da distribuição de insumos e de tecnologias para fertilizantes no país. De acordo com o Decreto, isso deve ocorrer de forma sustentável e abranger adubos, corretivos, condicionadores e novas tecnologias, para diminuir a dependência externa e a ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Atualmente, o Brasil é altamente dependente da importância das matérias-primas para a produção dos fertilizantes. Recentemente, a Neo Agro analisou o comportamento dos preços desses insumos e as altas são muito expressivas. Os adubos nitrogenados, que tem a uréia como base, quase dobraram de preço em um ano.

Fertilizantes são insumos essenciais para a garantia da produtividade da agropecuária brasileira. Sendo esse um setor responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a altíssima dependência deve ser estrategicamente reduzida.

É por isso que o trabalho do grupo interministerial criado para desenvolver esse Plano é tão aguardado por diferentes segmentos da sociedade. E um dos pontos mais essenciais a serem entregues é a redução da dependência da adubação nitrogenada. O Brasil já tem um trabalho excepcional com a Fixação Biológica do Nitrogênio, onde alguns microrganismos são capazes de fixar o nutriente nas raízes das plantas.

Mas é preciso mais. São necessárias metas de, mesmo com incremento da produção, a redução do uso de fertilizantes químicos nitrogenados. É um processo gradual e que pode ser de longo prazo, garantindo que as empresas e os agentes tenham tempo de se adaptar à mudança.

Há décadas, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli pensou fora da caixa. Investiu em inovação e tecnologia e foi isso que fez o Brasil ser a potência agropecuária que é hoje. A dependência externa de importação de adubos nitrogenados é dramática. É urgente que se apresente um planejamento, uma meta e claro, os meios para conquistá-las.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria

Veja mais artigos de opinião​

Inês é morta!

É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de

Um sopro de esperança

Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção

Um crime contra a ciência

É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do