O frito favorito

por Luciano Vacari

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Nunca se comeu tanto ovo no Brasil. Em 2021, a média anual de consumo de ovos foi de 257 unidades por pessoa, seis a mais do que média de 2020 e 45 a mais do que em 2018, quando consumo foi de 212 ovos por pessoa. O protagonismo do “zoiudo” está atribuído a um conjunto de fatores, que vão desde a maior participação do produto nas dietas fitness até elevação do preço das carnes.

Desde que a ciência do alimento estuda o ovo, ele já foi de vilão a mocinho pelo menos umas dez vezes e isso tem forte influência na hora de escolher o cardápio. Nos últimos anos, o ovo passou a ser receitado para aqueles que buscam o corpo perfeito devido ao seu alto índice proteico. De um ovo, muitos passaram a comer uma dúzia por dia, sem exagero.

Se a saúde pesa na composição do prato do dia a dia, o preço dos alimentos e o orçamento familiar pesam ainda mais. Assim como o aumentou o consumo per capita de ovos, também cresceu o consumo de aves em detrimento do consumo de carne bovina no Brasil. A carne suína não variou, ficando na casa dos 14 quilos ao ano.

Em 2018, o brasileiro comia uma média de 46 quilos e em 2021 este volume passou para 48,12 quilos de carne de frango por ano. Já o consumo de carne bovina passou de 38,01 quilos per capita/ano para 32,69 quilos, são quase seis quilos a menos. É um exemplo clássico de mudança na fonte de proteína.

Que bom que a indústria de ovos estava pronta para atender este mercado. Ano passado, o país produziu 54,97 bilhões da iguaria. De acordo com Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), foi maior produção da história e o maior consumo.

Essa indústria, além de grande, também está cada dia mais eficiente e sustentável, incorporando protocolos sanitários, ambientais e de bem-estar animal para colocar na mesa um produto íntegro, em todos os sentidos. Toda essa dedicação é voltada quase que toda para os brasileiros, visto que 99,5% da produção fica no mercado interno.

Com relação ao preço, o aumento da demanda vem valorizando o produto nos últimos meses. E não é só isso, há de se considerar que os custos de produção também registraram altas, sobretudo com relação ao preço do milho que praticamente dobrou de preço entre 2020 e 2021.

De vilão a mocinho para a saúde, ou de coadjuvante para protagonista no prato, fato é que o ovo sempre foi e será um alimento fundamental no prato dos brasileiros e do mundo. Além de extremamente saboroso, pode ser preparado de várias maneiras, todas simples e baratas.

Como se não bastasse, o ovo representa a verticalização da produção de grãos. Sim, isso mesmo.

É a transformação da proteína vegetal e proteína animal, gerando renda e contribuindo para o desenvolvimento social, afinal, boa parte da alimentação das galinhas poedeiras vem do milho e farelo de soja.

E ainda tem gente que se preocupa em descobrir que nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.

Luciano Vacari é gestor de agronegócio e diretor da Neo Agro Consultoria & Comunicação

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