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Luciano Vacari

Novas fontes de crédito, antigos problemas de acesso e distribuição

Dois meses depois do Fiagro começar a funcionar, foi instituída também no Brasil a Cédula de Produto Rural (CPR) Verde, instrumento que poderá ser emitido pelos produtores para atividades de serviços ambientais relacionadas à conservação de florestas e recuperação da vegetação nativa e que resultem, entre outros, em redução de emissões de gases de efeito estufa.

Um convite para mudança

É preciso sim aperfeiçoar os sistemas de produção, incorporar tecnologias para melhorar os índices produtivos, diminuir a utilização de recursos naturais e reduzir emissões de gases de efeito estufa. Ao poder público, mais do que estabelecer metas, cabe viabilizar a adesão a esses pacotes tecnológicos tão bem estruturados e apresentados na COP26.

Quem vai ditar as regras do jogo?

O ponto de negociação principal dessa COP26 é que o jogo começou. Países que não cumprirem suas NDC’s (Contribuições Nacionalmente Determinadas) poderão sofrer sanções internacionais, o que de uma forma ou de outra, já está acontecendo. É uma tendência e não volta mais.

Dinheiro no bolso, bife no prato

Escolhas à parte, a renda é um fator primordial na hora de comprar a proteína, seja no Brasil ou na China. Ao cruzar os dados da PIB per capita chinês com as exportações de carne brasileira para lá, percebe-se uma correlação forte entre os dois fatores. Até 2013, a exportação de carne para a China era bem tímida e não representava mais do que 10% do faturamento total das vendas externas brasileiras.

O coelho da cartola

Esse pacote sustentável agrega valor à produção e a agropecuária é um dos poucos setores que, até 2050, tem o potencial de realizar descarbonização ativa da atmosfera. O produtor que estiver adotando essas tecnologias, pode, além de receber pela sua produção, também ser remunerado pelo carbono.

Commodity ou premium, o que importa é vender.

Há cerca de três anos, a China ganhou importante participação no comércio internacional da nossa carne. A peste suína, na época, devastou o plantel asiático e consequentemente limitou a oferta da principal proteína consumida no país. Em substituição, a carne bovina brasileira entrou no mercado para matar o apetite chinês e o bifinho brasileiro caiu no gosto dos novos clientes.