Sal branco e capim colonião

por Luciano Vacari

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É simplesmente revoltante ver como, em pleno século XXI, ainda existam vozes que insistem em sabotar a pecuária brasileira, ignorando todo o avanço técnico e científico que a transformou em referência global de produtividade, qualidade e sustentabilidade. Não se pode aceitar passivamente que discursos rasos e desinformados tentem impor o banimento de tecnologias que são fruto de décadas de pesquisa, inovação e trabalho sério de milhares de cientistas, médicos veterinários, zootecnistas e produtores rurais.

A pecuária praticada hoje não tem nada a ver com o passado remoto; é uma atividade moderna, pautada em dados, em genética aprimorada, em manejo racional, na suplementação mineral e em sistemas integrados que respeitam o meio ambiente e o bem-estar animal, onde cada técnica adotada passou por rigorosos testes de segurança e eficiência, sempre dentro dos limites que a ciência e a lei estabelecem.

Portanto, quando alguém sugere que o Brasil deve simplesmente abandonar essas ferramentas, está propondo um retrocesso brutal, uma verdadeira volta à Idade da Pedra, onde o sal branco e o capim colonião reinavam nas paragens do sertão, fazendo a produtividade despencar e a pressão sobre os recursos naturais voltar à casa dos anos 80.

É inaceitável que um país que construiu um dos maiores e mais eficientes rebanhos do mundo justamente por abraçar a tecnologia, seja agora pressionado a abrir mão dela por capricho ideológico ou por falta de informação.

A inovação não é inimiga da saúde e do bem estar do consumidor, pelo contrário, é a maior aliada para produzir mais quilos por hectare ano, para reduzir emissões, para preservar o solo e a água, e para garantir que a carne, o leite e o couro que chegam à mesa do consumidor tenham a mais alta qualidade, e isso só é possível porque muito se investiu em ciência.

Banir tecnologias consolidadas e seguras, sem qualquer evidência que justifique o risco, é um atentado contra o progresso e contra a soberania do setor produtivo nacional e vai contra tudo o que acreditamos. É preciso sim, dar as garantias necessárias aos mercados consumidores do mundo de que o produto brasileiro é seguro, confiável e de qualidade. É preciso criar alternativas para que o setor produtivo do Brasil continue acessando os mercados internacionais, e isso se faz com técnica, com rastreabilidade, com ciência e com comprometimento, demonstrando que tanto o setor regulado, quanto o setor público é capaz de segregar o uso da tecnologia.

Porém, o retrocesso parece iminente, e a medida tomada pela caneta da política vai varrer a discussão técnica e colocar o Brasil no rol dos países que preferem proibir o uso da tecnologia a construir caminhos de longo prazo que garantam a perenidade da atividade.

A pecuária brasileira precisa de respeito pelo trabalho honesto, pela técnica apurada e pela capacidade que o Brasil tem de alimentar o mundo de forma segura. Não se pode aceitar que a ignorância dite as regras de um setor que é sinônimo de excelência e inovação.

A pressão política de 2 ou 3 que se acham acima de tudo e de todos não pode prosperar.

Mais do que nunca, é fundamental a união de todos ao redor de uma mesma mesa, com diálogo, com dados, com pesquisa e com a força da lei, para que o futuro da pecuária continue sendo escrito com base na ciência, e não no medo ou na desinformação.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

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