Logística: mais um fator do custo Brasil

por Luciano Vacari

por Luciano Vacari

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin

Um dos maiores depreciadores da renda dos produtores rurais é o custo com transporte. Mas esse não é um problema só do produtor rural, pelo contrário, o impacto disso chega até todos embutido no preço do produto final. Seja um quilo de arroz ou um saco de cimento, todos os produtos trazem no valor o custo do transporte.

Para exemplificar, vou utilizar a cadeia produtiva do agronegócio, que atualmente é um dos principais setores da economia brasileira. Esta semana, dados divulgados pela FreteBras ao BroadCast Estadão apontaram que em 2020 o custo do frete para o agronegócio aumentou 71,9% em comparação com 2019. O índice está no anuário “O Transporte Rodoviário no Brasil” e acompanha a alta no preço das principais commodities produzidas no país. De acordo com a plataforma FreteBras, o preço médio do freto pago pelo agronegócio foi de R$ 0,14 por tonelada.

Em 2019, levantamento feito pelo Movimento Pró-Logística, mantido por um conjunto de entidades representantes de diferentes cadeias produtivas, apontou que o custo para levar uma tonelada de grão de Sorriso até a China é de US$ 110/t. Este valor foi calculado com o transporte sendo feito em dois modais, rodoviário até os portos e depois de navio.

Na Argentina, país vizinho, o custo para levar uma tonelada de grão de Córdoba até a China é de US$ 57/t. O valor é bem menor mesmo adotando os mesmos modais, rodoviário e depois navio, porque a distância do centro de produção até o porto é menor. Já nos Estados Unidos, que possui dimensões mais próximas do Brasil, o transporte é feito por hidrovia dentro do país e o custo para levar uma tonelada de grão para a China é US$ 56/t.

O valor elevado pago no Brasil para o transporte de carga vem, em grande parte, da dependência do modal rodoviário de transporte, considerado o mais caro e de maior impacto socioambiental. O uso de combustíveis fosseis, a falta de investimento na modernização da malha viária, o tempo de viagem e o custo de manutenção dos veículos aumentam não só o preço do frete, mas também o risco de acidentes.

No Brasil, 62% do transporte de carga é rodoviário, na Argentina a participação deste modal é de 44% e nos Estados Unidos 25% do transporte é feito sobre rodas. Investir na diversificação dos modais de transporte reduz o custo de produção e consequentemente o custo dos produtos também.

E não falo somente de hidrovia não. O transporte ferroviário mesmo, há quanto tempo ouvimos falar da Ferrogrãos, da Ferrovia Integração Centro-Oeste, ou que os trilhos vão chegar até Cuiabá? São promessas de décadas que não saem do papel.

Sabemos que os entraves burocráticos, tanto econômicos quanto ambientais, alongam a execução dos projetos. Mas com um trabalho transparente, com informações técnicas legítimas e os devidos investimentos, é possível diversificar nossas alternativas de transporte, reduzindo custo, aumentando a concorrência e melhorando a remuneração de todos os envolvidos.

Luciano Vacari é gestor de agronegócio e diretor da NeoAgro Consultoria

Veja mais artigos de opinião​

Inês é morta!

É decepcionante, afinal, recebemos o primeiro aviso em 2019, e era tempo mais do que suficiente para todos, isso mesmo, todos os envolvidos na cadeia de produção da carne bovina brasileira encontrarem uma maneira de

Um sopro de esperança

Quando falamos de bioinsumos, não estamos tratando apenas de um trâmite burocrático, mas de uma ferramenta que impacta diretamente o sustento de milhares de famílias, a saúde do solo e a viabilidade de uma produção

Um crime contra a ciência

É absolutamente revoltante testemunhar o que está acontecendo com a regulamentação dos bioinsumos no Brasil, afinal enquanto o mundo clama por práticas agrícolas sustentáveis e o próprio país se vangloria de ser o celeiro do