Projeções para o Câmbio registram menor valorização do real em doze meses

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Toda semana, o Banco Central do Brasil (Bacen) divulga o Boletim Focus, um relatório semanal com os indicadores mais relevantes da economia brasileira, como PIB, Inflação e também o câmbio. Ele é um dos documentos mais importantes para guiar as decisões de investidores nacionais e internacionais. Para realizá-lo, o Bacen consulta dezenas de instituições.


Na última semana de dezembro e até o dia 17 de janeiro, , a projeção de mercado para o câmbio ficou em R$5,60. A Figura 1 ilustra as perspectivas do Bacen para o mercado para o câmbio em 2022. Os primeiros dados apresentados refletem o quanto as instituições consultadas estimavam o câmbio para 2022, lá em janeiro de 2021. Cabe destacar que, algumas instituições financeiras chegam a mencionar a possibilidade de chegar a R$5,70.

Em 2021, o câmbio esperado para 2022 era inferior a cinco reais, exatos R$4,90. Desde então, conforme ilustrado, a expectativa foi de desvalorização do real, com ligeira queda em meados de maio e junho, estável até meados de outubro, e desde então com tendência de alta.


Para a agropecuária brasileira, a desvalorização do real tem dois efeitos. O primeiro é tornar os produtos brasileiros muito competitivos no mercado internacional. Tanto é verdade que, em 2021, os produtos do agronegócio registraram recorde de exportação, com uma receita de US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%, com relação a 2020.
Os destaques foram soja, celulose e carnes, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária, Comércio e Abastecimento. Um fator que estimulou as exportações foi a demanda aquecida do mercado asiático e a desvalorização do real estimulou que os produtos brasileiros atendessem a essa demanda com competitividade.

Por outro lado, o inverso também é verdadeiro: os produtos importados também ficam mais caros. E para a agropecuária, inúmeros insumos produtivos estão atrelados ao dólar, sendo eles: herbicidas, fungicidas, medicamentos, fertilizantes e os suplementos minerais.

Assim, de modo geral, dados as condições cambiais, há uma expectativa de alto dos custos em 2022, comparativamente à 2021. Outros fatores, em especial o cenário de eleições, deve resultar em ainda mais volatilidade nas projeções. Isso pode reduzir a previsibilidade de retorno de investimentos, causando insegurança em investidores, especialmente os internacionais.

Por isso, é importante que produtores tenham seus custos de produção na mão e utilizem as ferramentas de gestão e de mercado disponíveis. A demanda internacional aquecida pode ser excelente para a agropecuária brasileira, mas é necessário olhar para dentro da porteira também.

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